O que é a doença bipolar?

transtorno bipolar

O que é a doença bipolar?

A doença bipolar não é uma característica presente apenas na sociedade atual, as alterações emocionais vêm sendo relatadas desde os períodos da Grécia e Pérsia Antiga.

No decorrer dos últimos séculos, as descrições e conceitos em torno do Transtorno Bipolar vem sofrendo modificações consideráveis e que continuarão acontecendo em próximas edições do Manual Estatístico para Diagnóstico (DSM-5) e da Classificação Internacional das Doenças (CID-11).

Estima-se que cerca de 5% da população mundial já passou por quadros referentes a Doença Bipolar (mania ou depressão). No Brasil, os dados do Sistema Único de Saúde mostram que cerca de 10 mil Autorizações de Internação Hospitalar por ano são por conta de Transtorno Afetivo Bipolar – TAB. No entanto, em alguns casos, é comum que eles recebam o diagnóstico incorreto e acabam por não serem enquadrados em casos de TAB, prevalecendo o motivo para internação o alcoolismo, esquizofrenia ou Transtorno de Personalidade.

O que é a doença bipolar?

Corriqueiramente denominada como Doença Maníaco-Depressiva, a doença bipolar é uma condição psiquiátrica que se caracteriza por apresentar alterações intensas do humor, em episódios de depressão e mania. Esses dois tipos de episódios podem prevalecer em uma mesma pessoa, sendo sua ocorrência bastante variável. Os episódios de crise podem ser enquadrados em graves, moderados e leves.

Essas alterações no humor influenciam bastante na qualidade de vida do acometido e também de seus familiares, diretamente ou indiretamente, uma vez que repercute nas sensações, ideias e comportamentos, fazendo com que o indivíduo perca a autonomia sobre suas ações e de sua personalidade.

 

 

Afinal, quais são os sintomas do Bipolar?

Para saber identificar essa condição e também ajudar o profissional que irá fazer o diagnóstico, é importante ficar atento para os sintomas, esses que são definidos de acordo com cada tipo de crise (episódios de mania e/ou depressão), são eles:

MANIA (Estado de Humor Elevado e Expansivo, Eufórico ou Irritável) DEPRESSÃO (Estado de Humor de Tristeza e Desespero)
Irritabilidade acentuada. Preocupação com fracassos e perda da autoestima.
Modificações emocionais (súbitas e imprevisíveis). Sentimento de inutilidade, desespero e culpa.
Resposta excessiva a coisas externas (compreensão incorreta de acontecimentos). Perda de interesse pelo trabalho.
Súbito interesse em várias atividades, aumento dos gastos e dívidas. Diminuição do desejo sexual.
Abuso de álcool e outras substâncias. Uso excessivo de álcool e outras substâncias.
Delírios, perda da noção da realidade. Delírios, perda da noção da realidade.
Redução da necessidade do sono Tristeza constante
Pressão por falar Falta de prazer

 

Existem situações em que o doente pode apresentar crises mistas, caracterizadas por depressão e mania. Vale ressaltar que muitos desses sintomas não caracterizam por si só a doença bipolar. O diagnóstico deve ser feito por um médico especialista e com experiência no assunto, pois muitas vezes o diagnóstico pode se confundir com outros diagnósticos diferenciais. É muito importante salientar que determinadas situações do dia a dia podem gerar tais sintomas em pessoas, e isso não quer dizer que uma pessoa pode ser bipolar. Existe um tempo característico e detalhes específicos que só um médico especialista poderá fazer o diagnóstico correto.

Se eu for ao médico, qual será o tratamento?

Não existe relato de tratamentos curativos, mas há grandes chances de a doença ser controlada através do uso de medicações estabilizadoras do humor, cuja sua função diminui as chances de que o doente entre em crise, sejam elas de depressão ou mania.

As principais drogas no mercado usadas nesses pacientes são a Lamotrigina, Olanzapina, Valproato, Carbonato de Lítio, Quetiapina, Carbamazepina, Risperidona e Ziprasidona. Para cada remédio há uma indicação especifica, e a orientação profissional deve ser individualizada.

Os Antidepressivos são responsáveis por tratar as crises depressivas.. Já no caso dos episódios de mania, usam-se estabilizadores de humor ou em alguns casos pode-se usar antipsicóticos.

É importante que haja a ajuda do próprio doente e também da família, esse é um complemento extremamente essencial nesse tipo de tratamento.

Qual a importância da conscientização dos doentes, familiares e outras pessoas sobre a doença bipolar?

Quando o assunto é doença mental, grande parte das pessoas acabam ficando confusas e com medo. O sentimento de negatividade toma conta, seja do portador ou do familiar, e com isso dificultando ainda mais o início do tratamento.

O conhecimento sobre doenças psiquiátricas e em especial sobre a doença bipolar, facilita o diagnóstico e o reconhecimento precoce pelo próprio paciente ou familiares, fazendo com que o doente tenha a ajuda necessária para poder se tratar corretamente e aumentar sua qualidade de vida.

Não deixe de procurar ajuda médica, a sua saúde mental (ou de seu familiar) é muito importante e deve ser acompanhada de perto por profissionais capacitados para ajudar você ou seu familiar da maneira adequada.

Referências Bibliográficas

LIMA, Maurício Silva de et al. Epidemiology of bipolar disorders. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), v. 32, p. 15-20, 2005.

MORENO, Ricardo Alberto; MORENO, Doris Hupfeld; RATZKE, Roberto. Diagnosis, treatment and prevention of mania and hipomania within the bipolar disorder. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), v. 32, p. 39-48, 2005.

Revista da Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares. A.D.E.B. Bipolar. Nº 49, 50,51,52,53,54.

Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos.

Associação Brasileira de Psiquiatria. Transtorno Bipolar. Ano 1 • n°5 • Set/Out 2011 ISSN 2236-918X.