# Por que não consigo dormir? Insônia: causas e tratamento

> Tipos de insônia, causas ambientais, médicas e psiquiátricas, critérios DSM-5-TR / CID-11 e tratamento de primeira linha (TCC-I) com base em evidência.

**Canonical:** https://diegotinoco.com.br/blog/por-que-nao-consigo-dormir
**Autor:** Dr. Diego Tinoco — Médico Psiquiatra (CRM-MG 58241, RQE 37921)
**Publicado em:** 2021-12-13 13:32:00
**Revisado em:** 2026-05-02

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## Por que não consigo dormir? Causas e o que fazer

A dificuldade para dormir é uma das queixas mais comuns no consultório. Estima-se que cerca de **30% a 40% da população adulta** apresente sintomas de insônia em algum momento do ano, e que **10% a 15%** preencham critérios para transtorno de insônia crônica.[1,2](#ref1)

Este artigo descreve os tipos de insônia, as causas mais frequentes — incluindo fatores ambientais, médicos e psiquiátricos — e o que a evidência aponta como caminho de tratamento.

## Tipos de insônia

Do ponto de vista clínico, a insônia costuma ser classificada por momento de aparecimento ao longo da noite:

- **Insônia inicial**: dificuldade em iniciar o sono (a pessoa fica de minutos a horas tentando "pegar no sono");
- **Insônia de manutenção**: a pessoa adormece, mas desperta durante a noite e tem dificuldade para voltar a dormir;
- **Insônia terminal**: despertar precoce, antes do horário desejado, sem conseguir retomar o sono;
- **Insônia mista**: combinação de mais de um padrão.

O padrão importa porque oferece pistas sobre causas: insônia inicial é mais comum em ansiedade; insônia terminal sugere depressão; despertares frequentes podem indicar apneia do sono ou uso de álcool, por exemplo.[3](#ref3)

## Critérios diagnósticos do transtorno de insônia

O **transtorno de insônia** (DSM-5-TR 780.52; CID-11 7A00) requer:[4,5](#ref4)

- Dificuldade para iniciar, manter ou retornar ao sono, com prejuízo no funcionamento diurno;
- Sintomas em pelo menos **3 noites por semana**;
- Duração de pelo menos **3 meses** para insônia crônica (períodos mais curtos caracterizam insônia aguda);
- Não atribuíveis exclusivamente a outra condição clínica, uso de substâncias ou outro transtorno do sono.

## Causas ambientais e comportamentais

Em muitos casos, a dificuldade de dormir não está associada a uma condição clínica específica, mas a fatores do estilo de vida contemporâneo:

### Uso de telas e luz azul

A exposição à luz azul de telas (celular, computador, TV) à noite suprime a secreção de melatonina, hormônio que sinaliza ao cérebro que é hora de dormir. Estudos controlados mostram que o uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir atrasa o início do sono e reduz a qualidade do sono REM.[6](#ref6)

### Estresse crônico e excesso de trabalho

O modelo de trabalho contemporâneo — com expectativa de disponibilidade constante, especialmente em home office — tem sido associado a piora dos parâmetros de sono em estudos pós-2020.[7](#ref7) Trabalhar até tarde, sem fronteiras claras entre horário de trabalho e descanso, tende a manter o sistema nervoso em estado de ativação.

### Cafeína, nicotina e álcool

- **Cafeína**: meia-vida de 5 a 7 horas, com efeito estimulante prolongado. Consumo após o meio da tarde pode prejudicar o sono mesmo em quem se considera "tolerante";
- **Nicotina**: estimulante; fumantes têm maior dificuldade para iniciar e manter o sono;
- **Álcool**: ao contrário da crença popular, *piora* a qualidade do sono. Apesar do efeito sedativo inicial, fragmenta o sono na segunda metade da noite e reduz o sono REM.[8](#ref8)

### Pouca exposição à luz natural

O ciclo circadiano é regulado, em grande parte, pela exposição à luz solar durante o dia. Rotinas predominantemente em ambientes fechados, com baixa luminosidade matinal, contribuem para desregulação do ciclo sono-vigília.

## Causas médicas e psiquiátricas

### Transtornos psiquiátricos

Várias condições psiquiátricas têm a insônia como sintoma frequente ou critério diagnóstico:

- **Transtorno depressivo maior**: insônia terminal é particularmente sugestiva, embora também ocorra hipersonia;
- [**Transtorno de ansiedade generalizada**](/blog/o-que-e-transtorno-de-ansiedade): insônia inicial é típica, com [ruminação](/glossario#ruminacao) noturna;
- **Transtorno bipolar**: em episódios de mania ou [hipomania](/glossario#hipomania), há redução marcada da necessidade de sono;
- **Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)**: pesadelos recorrentes, insônia, sono fragmentado;
- **Transtorno do uso de substâncias**: tanto durante o uso quanto na abstinência.

### Outras condições médicas

- **Apneia obstrutiva do sono**: pausas respiratórias durante o sono, com despertares frequentes e cansaço diurno. Diagnóstico requer **polissonografia**;
- **Síndrome das pernas inquietas**: necessidade de mover as pernas ao deitar, geralmente associada a desconforto;
- **Hipertireoidismo**;
- **Dor crônica**;
- **Refluxo gastroesofágico**;
- **Hipertrofia prostática** (em homens, com despertares para urinar).

## Consequências da insônia crônica

Os efeitos da privação crônica de sono se acumulam:

### Curto prazo

- Sonolência e fadiga diurna;
- Dificuldade de concentração e memória;
- Maior irritabilidade e reatividade emocional;
- Redução de reflexos (com aumento do risco de acidentes).

### Longo prazo

A insônia crônica é fator de risco independente para diversas condições, segundo evidências de estudos longitudinais e meta-análises:[9](#ref9)

- Doenças cardiovasculares e hipertensão;
- Diabetes tipo 2;
- Obesidade;
- Depressão (relação bidirecional);
- Comprometimento cognitivo;
- Maior risco de mortalidade por todas as causas.

## Tratamento: o que a evidência sustenta

### Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I)

A **[TCC-I](/glossario#tcc)** é o tratamento de *primeira linha* para insônia crônica, segundo diretrizes da American Academy of Sleep Medicine (AASM) e da European Sleep Research Society.[10,11](#ref10) Em meta-análises, mostra eficácia semelhante a medicações hipnóticas a curto prazo e *superior* no longo prazo, com efeitos duradouros após o fim do tratamento.

Inclui componentes como restrição de tempo na cama, controle de estímulos, reestruturação cognitiva sobre o sono, técnicas de relaxamento e psicoeducação.

### Higiene do sono

Por si só, a higiene do sono tem efeito modesto — mas é base de qualquer tratamento. Principais práticas:

- Horários consistentes para dormir e acordar, inclusive nos finais de semana;
- Reduzir telas pelo menos 1 hora antes de dormir;
- Quarto escuro, silencioso e fresco;
- Limitar uso da cama a dormir e atividade sexual;
- Sair da cama se não conseguir dormir em 20 minutos;
- Evitar cafeína após o meio da tarde;
- Exposição à luz natural pela manhã;
- Atividade física regular, evitando intensa nas 2 horas antes de dormir.

### Farmacoterapia

Quando indicada, costuma ser *complemento* e não substituto da TCC-I. Opções com perfis distintos incluem:

- Antidepressivos sedativos em baixa dose (trazodona, mirtazapina, doxepina);
- Agonistas de melatonina;
- Melatonina, especialmente útil em distúrbios do ritmo circadiano;
- Hipnóticos não-benzodiazepínicos (zolpidem, zopiclona) — uso pontual, por riscos com uso prolongado;
- Benzodiazepínicos não são recomendados como primeira linha para uso contínuo.[11](#ref11)

A escolha exige avaliação médica individualizada — não há protocolo único.

## Quando procurar ajuda

Procure avaliação médica se:

- A insônia persiste por mais de 3 a 4 semanas;
- Você sente prejuízo significativo no funcionamento diurno;
- Suspeita de apneia (ronco intenso, pausas respiratórias relatadas, sonolência diurna marcada);
- Há sintomas associados de ansiedade, depressão ou outro quadro psiquiátrico;
- Há ideação suicida — nesse caso, busque ajuda imediata: **SAMU 192**, **CVV 188** (24h, gratuito) ou pronto-socorro.

## Aviso importante

Este conteúdo é educacional e não substitui consulta médica individual. Diagnóstico e tratamento da insônia exigem avaliação clínica, conforme regulamentação do CFM. Para agendar uma avaliação, conheça mais sobre os [atendimentos oferecidos](/servicos).

## Referências

1. Ohayon MM. Epidemiology of insomnia: what we know and what we still need to learn. *Sleep Med Rev*. 2002;6(2):97-111. [DOI: 10.1053/smrv.2002.0186](https://doi.org/10.1053/smrv.2002.0186)
2. Morin CM, Jarrin DC. Epidemiology of insomnia: prevalence, course, risk factors, and public health burden. *Sleep Med Clin*. 2022;17(2):173-191. [DOI: 10.1016/j.jsmc.2022.03.003](https://doi.org/10.1016/j.jsmc.2022.03.003)
3. Buysse DJ. Insomnia. *JAMA*. 2013;309(7):706-716. [DOI: 10.1001/jama.2013.193](https://doi.org/10.1001/jama.2013.193)
4. American Psychiatric Association. *Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders*, 5th ed., Text Revision (DSM-5-TR). Washington, DC: APA Publishing; 2022. [DOI: 10.1176/appi.books.9780890425787](https://doi.org/10.1176/appi.books.9780890425787)
5. World Health Organization. *ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics*. Genebra: OMS; 2022. Disponível em: [https://icd.who.int/](https://icd.who.int/)
6. Chang AM, Aeschbach D, Duffy JF, Czeisler CA. Evening use of light-emitting eReaders negatively affects sleep, circadian timing, and next-morning alertness. *Proc Natl Acad Sci USA*. 2015;112(4):1232-1237. [DOI: 10.1073/pnas.1418490112](https://doi.org/10.1073/pnas.1418490112)
7. Jahrami H, BaHammam AS, Bragazzi NL, Saif Z, Faris M, Vitiello MV. Sleep problems during the COVID-19 pandemic by population: a systematic review and meta-analysis. *J Clin Sleep Med*. 2021;17(2):299-313. [DOI: 10.5664/jcsm.8930](https://doi.org/10.5664/jcsm.8930)
8. Ebrahim IO, Shapiro CM, Williams AJ, Fenwick PB. Alcohol and sleep I: effects on normal sleep. *Alcohol Clin Exp Res*. 2013;37(4):539-549. [DOI: 10.1111/acer.12006](https://doi.org/10.1111/acer.12006)
9. Itani O, Jike M, Watanabe N, Kaneita Y. Short sleep duration and health outcomes: a systematic review, meta-analysis, and meta-regression. *Sleep Med*. 2017;32:246-256. [DOI: 10.1016/j.sleep.2016.08.006](https://doi.org/10.1016/j.sleep.2016.08.006)
10. Edinger JD, Arnedt JT, Bertisch SM, et al. Behavioral and psychological treatments for chronic insomnia disorder in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. *J Clin Sleep Med*. 2021;17(2):255-262. [DOI: 10.5664/jcsm.8986](https://doi.org/10.5664/jcsm.8986)
11. Riemann D, Espie CA, Altena E, et al. The European Insomnia Guideline: an update on the diagnosis and treatment of insomnia 2023. *J Sleep Res*. 2023;32(6):e14035. [DOI: 10.1111/jsr.14035](https://doi.org/10.1111/jsr.14035)
