# Transtorno de pânico: tratamento e o que muda com ele

> O transtorno de pânico tem tratamento com psicoterapia e com medicação, e as revisões em rede mais recentes compararam cada grupo dentro do seu próprio universo. O que isso permite afirmar, o que continua em aberto e como a escolha se monta junto com quem vai ser tratado.

**Canonical:** https://diegotinoco.com.br/blog/tratamento-do-panico
**Autor:** Dr. Diego Tinoco — Médico Psiquiatra (CRM-MG 58241, RQE 37921)
**Publicado em:** 2026-11-06
**Revisado em:** 2026-11-06

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## Duas perguntas diferentes, duas literaturas separadas

Quem recebe o diagnóstico de transtorno de pânico costuma chegar à mesma pergunta: qual tratamento funciona. A pergunta é legítima, e a literatura dos últimos anos a respondeu — mas respondeu duas vezes, em dois universos que não se encostam.

De um lado, uma revisão sistemática com metanálise em rede publicada no *The British Journal of Psychiatry* reuniu 136 ensaios clínicos randomizados e comparou **psicoterapias entre si**, na fase aguda do transtorno de pânico com ou sem [agorafobia](/glossario/agorafobia), em adultos.[1](#ref1) De outro, uma revisão com metanálise em rede publicada no *BMJ* reuniu 87 ensaios, com 12.800 participantes adultos, e comparou **classes de medicamento entre si**.[2](#ref2)

Nenhuma das duas comparou psicoterapia com medicação. Esse limite não é um detalhe metodológico: ele significa que ordenar tratamentos em uma fila única — do que funciona mais para o que funciona menos — não tem respaldo nessas revisões. Cada mapa só ordena o que está dentro dele.

Este texto é sobre o que esses mapas mostram. Se a dúvida ainda é sobre sintomas, critérios diagnósticos e a confusão frequente com quadros cardíacos, ela está no texto sobre [síndrome do pânico: sintomas e diagnóstico](/blog/sindrome-do-panico-e-seus-sintomas). O panorama do cluster inteiro fica na página de [ansiedade](/ansiedade).

Cada revisão em rede compara o que está dentro do seu próprio conjunto. A ligação entre os dois conjuntos é o que essas revisões não fizeram.

## Psicoterapia: o que a rede de 136 ensaios encontrou

A conclusão dos autores é direta: a [terapia cognitivo-comportamental](/glossario/tcc) e a terapia psicodinâmica breve são escolhas razoáveis de primeira linha para a fase aguda.[1](#ref1) As duas apareceram entre as intervenções mais eficazes e mais aceitas quando comparadas ao tratamento usual.

Há uma nuance que vale mais que o resultado principal. Quando os autores retiraram da análise os ensaios com alto risco de viés, **só a terapia cognitivo-comportamental se manteve mais eficaz que o tratamento usual**.[1](#ref1) Os próprios autores explicam por quê: estudos com alto risco de viés tendem a inflar a eficácia dos tratamentos.[1](#ref1) A evidência para a terapia cognitivo-comportamental é, então, a que resiste melhor à limpeza da amostra de estudos — o que não retira a psicodinâmica breve da mesa, mas diz que o apoio para ela é mais fino.

O tamanho do efeito também pede leitura cuidadosa. A diferença encontrada entre a terapia cognitivo-comportamental e o tratamento usual foi **moderada** (diferença média padronizada de -0,67, com intervalo de confiança de 95% entre -0,95 e -0,39).[1](#ref1) Moderado é um efeito real e clinicamente relevante; não é o desaparecimento do quadro em todas as pessoas tratadas. A revisão também não avaliou o que acontece meses ou anos depois: o recorte dela é a fase aguda.[1](#ref1)

Sobre o funcionamento concreto de uma das técnicas mais usadas nesses protocolos, há um texto dedicado à [exposição gradual no tratamento da ansiedade](/blog/exposicao-gradual-tratamento-ansiedade).

## Medicação: o que a rede de 87 ensaios encontrou

A revisão do *BMJ* fez uma coisa que rankings simples não fazem: colocou remissão e efeitos adversos no mesmo gráfico, para ver qual classe tem o equilíbrio mais favorável entre as duas coisas. O resultado foi que os [inibidores seletivos de recaptação de serotonina](/glossario/isrs) (ISRS) ficaram associados a alta [remissão](/glossario/remissao) com baixo risco de efeitos adversos.[2](#ref2) Entre os ISRS individualmente, sertralina e escitalopram apareceram com alta remissão e risco de efeitos adversos aceitável.[2](#ref2)

Duas ressalvas vêm da mesma revisão, e não são pequenas. A primeira: tricíclicos, benzodiazepínicos e ISRS também estiveram significativamente associados a mais efeitos adversos do que o placebo.[2](#ref2) Equilíbrio mais favorável não quer dizer ausência de efeito adverso. A segunda: os achados se baseiam em estudos com níveis de certeza de moderado a muito baixo, e **86 dos 87 estudos incluídos tinham alguma preocupação ou alto risco de viés**.[2](#ref2)

Nada disso é prescrição. Qual medicamento, em que dose e por quanto tempo é decisão que se toma em consulta, caso a caso, e nenhuma revisão substitui essa conversa. O panorama geral de como as classes funcionam está na página de [medicação psiquiátrica](/medicacao-psiquiatrica).

## Antidepressivo contra placebo: o que o número necessário para tratar diz

Uma revisão Cochrane reuniu 41 ensaios duplo-cegos, com 9.377 participantes adultos, e comparou antidepressivos com placebo no transtorno de pânico.[3](#ref3) O resultado foi traduzido em uma medida que ajuda a dimensionar expectativa: o número necessário para tratar foi de **7** (intervalo de confiança de 95% entre 6 e 9) — isto é, seria preciso tratar cerca de sete pessoas com antidepressivo para que uma a mais se beneficie, em comparação com o placebo.[3](#ref3) Os autores classificam a qualidade dessa evidência como baixa.

Esse número é lido de duas formas erradas. Ele não diz que seis em cada sete pessoas não melhoram — parte delas melhora também com placebo, e é essa parcela que a medida desconta. E não diz que o efeito é desprezível. O que ele diz é que o benefício é real, mensurável e não universal.

A mesma revisão encontrou, com evidência de qualidade moderada, que os antidepressivos como grupo foram **menos bem tolerados que o placebo**, com mais abandonos por efeitos adversos.[3](#ref3) E lista as próprias limitações: parte dos estudos foi financiada por indústrias farmacêuticas, e só desfechos de curto prazo foram avaliados.[3](#ref3) Os autores são explícitos ao dizer que a decisão sobre prescrever ou não na prática clínica não pode ser tomada com base nessa revisão.[3](#ref3)

## Benzodiazepínicos: por que aparecem bem e o que não foi medido

Outra revisão Cochrane, com 24 ensaios e 4.233 participantes adultos, comparou benzodiazepínicos com placebo. Encontrou, com evidência de baixa qualidade, uma possível superioridade do benzodiazepínico sobre o placebo **no tratamento de curto prazo**.[4](#ref4)

A frase seguinte da mesma revisão é a que importa para quem vai usar: os estudos incluídos eram todos de curto prazo e **não examinaram nem a eficácia de longo prazo nem os riscos de dependência e de sintomas de retirada**.[4](#ref4) Não é que a revisão tenha medido esses riscos e os tenha encontrado pequenos. É que eles estão fora do que esses ensaios olharam. Falar em taxas de dependência a partir dessa literatura seria inventar um dado que ela não produziu.

Os mesmos autores descrevem o contexto das diretrizes: elas recomendam antidepressivos, principalmente os ISRS, como primeira linha farmacológica para o transtorno de pânico, em parte pela menor incidência de dependência e de reação de retirada em comparação com os benzodiazepínicos.[4](#ref4) Isso é diferente de dizer que benzodiazepínico nunca tem lugar — o uso pontual, por tempo definido e combinado, é uma decisão clínica comum. O que a evidência disponível não sustenta é tratá-lo como estratégia de manutenção.

Quem já está em tratamento e pensa em interromper medicação encontra o que se sabe sobre planejamento de descontinuação no texto sobre [retirada de antidepressivos](/blog/retirada-de-antidepressivos).

## O que nenhuma das quatro revisões mediu

Vale juntar as lacunas num lugar só, porque elas desenham o contorno do que ainda não se sabe:

- **Longo prazo.** A revisão de psicoterapias tratou da fase aguda; as duas Cochrane avaliaram desfechos de curto prazo.[1](#ref1)[3](#ref3)[4](#ref4) O que acontece no segundo ano de tratamento, ou depois de interrompê-lo, está fora desses mapas.
- **Psicoterapia contra medicação.** Nenhuma das revisões citadas aqui fez essa comparação direta.[1](#ref1)[3](#ref3)
- **Dependência e retirada de benzodiazepínico.** Não examinadas nos ensaios reunidos.[4](#ref4)
- **Qualidade dos estudos.** Em farmacoterapia, a certeza da evidência ficou entre moderada e muito baixa.[2](#ref2) Em psicoterapia, retirar os ensaios de alto risco de viés mudou o resultado.[1](#ref1)

Nomear lacuna não é desqualificar tratamento. É a diferença entre uma expectativa que o tratamento pode sustentar e uma que ele vai frustrar.

## Como a decisão se monta

A revisão dos benzodiazepínicos termina com uma formulação que serve para o tema inteiro: a escolha do tratamento deve ser guiada pela preferência da pessoa e pesar benefícios e danos numa perspectiva de longo prazo.[4](#ref4) Isso tem consequências práticas.

A primeira é que não existe uma porta obrigatória. Psicoterapia e tratamento farmacológico são caminhos com evidência própria, e psicólogo e médico são profissionais autônomos, com escopos distintos e regulamentação própria — nenhum depende de encaminhamento do outro para começar a trabalhar. Quem procura primeiro um ou outro não está no caminho errado.

A segunda é que condições concretas entram na conta legitimamente: custo, disponibilidade de terapia semanal na região, horário de trabalho, histórico de efeitos adversos, preferência por começar sem medicação ou por ter alívio mais rápido. Na rede pública, o acompanhamento em saúde mental se organiza pelas unidades básicas e pelos CAPS, e esse é um caminho de cuidado, não um plano B.

Considere a situação hipotética de alguém que teve três ataques de pânico em um mês, já passou por avaliação que descartou causa cardíaca e começou a evitar o metrô. As revisões citadas aqui não dizem a essa pessoa o que escolher. Dizem que há duas rotas com evidência dentro do próprio universo, que o benefício esperado é real e parcial, que efeito adverso entra no cálculo e que o longo prazo será respondido pelo acompanhamento, não pela literatura. É esse o material de uma decisão compartilhada.

Um ataque de pânico é descrito na literatura como uma onda de medo intenso que atinge o pico em poucos minutos.[3](#ref3) Em momentos assim, se houver dúvida sobre sintomas físicos, o **SAMU 192** avalia; para apoio emocional, o **CVV 188** atende por telefone, a qualquer hora e sem custo.

## Perguntas frequentes

### Preciso tomar medicação para tratar transtorno de pânico?

As revisões citadas aqui não respondem a isso, porque não comparam psicoterapia com medicação. O que elas mostram é que existe evidência para psicoterapia dentro do universo das psicoterapias e para farmacoterapia dentro do universo dos medicamentos.[1](#ref1)[2](#ref2) A escolha entre começar por um, por outro ou pelos dois é clínica e considera a preferência de quem vai ser tratado.[4](#ref4)

### Qual psicoterapia tem mais evidência?

Na metanálise em rede de psicoterapias, a terapia cognitivo-comportamental e a psicodinâmica breve foram apontadas como escolhas razoáveis de primeira linha. Quando os ensaios com alto risco de viés foram retirados, só a cognitivo-comportamental permaneceu mais eficaz que o tratamento usual.[1](#ref1) Isso indica evidência mais robusta para ela, não que as demais sejam inúteis.

### Qual medicamento é indicado?

Considerando remissão e efeitos adversos juntos, os ISRS apareceram com o equilíbrio mais favorável entre as classes, e sertralina e escitalopram se destacaram entre eles.[2](#ref2) Qual medicamento, em que dose e por quanto tempo é decisão de consulta: depende de histórico, de outros diagnósticos e de tolerância individual.

### Benzodiazepínico resolve o pânico?

Há evidência de baixa qualidade de possível superioridade sobre o placebo no curto prazo. Os ensaios reunidos não avaliaram eficácia de longo prazo nem risco de dependência e de retirada, e as diretrizes citadas pelos autores colocam os antidepressivos como primeira linha farmacológica, em parte por esse motivo.[4](#ref4)

### Em quanto tempo o tratamento faz efeito?

Essas revisões não medem tempo até resposta: elas comparam desfechos de fase aguda e de curto prazo.[1](#ref1)[3](#ref3) Prazo esperado é uma conversa de acompanhamento, com reavaliação marcada, e não um número que a literatura comparativa forneça.

### Se eu interromper o tratamento, o pânico volta?

As revisões citadas avaliaram só desfechos de curto prazo ou de fase aguda, então não respondem a essa pergunta.[3](#ref3)[4](#ref4) Interrupção de medicação é um processo que se planeja junto com quem prescreve; o que se sabe sobre isso está no texto sobre [retirada de antidepressivos](/blog/retirada-de-antidepressivos).

## Referências

1. Papola D, Ostuzzi G, Tedeschi F, Gastaldon C, Purgato M, Del Giovane C, et al. *Comparative efficacy and acceptability of psychotherapies for panic disorder with or without agoraphobia: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials*. The British Journal of Psychiatry. 2021;221(3):507-519. [10.1192/bjp.2021.148](https://doi.org/10.1192/bjp.2021.148)
2. Chawla N, Anothaisintawee T, Charoenrungrueangchai K, Thaipisuttikul P, McKay GJ, Attia J, et al. *Drug treatment for panic disorder with or without agoraphobia: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials*. BMJ. 2022;376:e066084. [10.1136/bmj-2021-066084](https://doi.org/10.1136/bmj-2021-066084)
3. Bighelli I, Castellazzi M, Cipriani A, Girlanda F, Guaiana G, Koesters M, et al. *Antidepressants versus placebo for panic disorder in adults*. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2018;2018(4). [10.1002/14651858.CD010676.pub2](https://doi.org/10.1002/14651858.cd010676.pub2)
4. Breilmann J, Girlanda F, Guaiana G, Barbui C, Cipriani A, Castellazzi M, et al. *Benzodiazepines versus placebo for panic disorder in adults*. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2019. [10.1002/14651858.CD010677.pub2](https://doi.org/10.1002/14651858.cd010677.pub2)

*Este conteúdo é educacional e não substitui consulta médica individual.*
