Características dos pacientes que morrem na Itália – COVID 19

Não se trata exclusivamente de notícias boas, mas de informações que geram menos pânico e medo na população:

A Itália é um dos países com mais mortes relacionados ao Coronavírus. E uma importante revista científica internacional, denominada JAMA, publicou em 23 de Março, um artigo mostrando a taxa de mortalidade por casos e características dos pacientes que morrem em relação ao COVID-19 na Itália.

Importante saber que na Itália foi definido que a taxa de mortalidade é o número de mortes em pessoas que apresentaram resultado positivo para SARS-CoV-2 dividido pelo número de casos de SARS-CoV-2.

Ou seja:

Taxa de Mortalidade:

Número de Mortes dividido por Teste Positivo Para COVID-19. 

A taxa geral de mortalidade de pessoas com COVID-19 confirmado na população italiana, com base em dados até 17 de março, foi de 7,2% (1625 mortes / 22 512 casos). Foi observado que essa taxa é superior à observada em outros países e poderia estar relacionada a três fatores principais. 

É importante salientar e prestar atenção nesses três fatores, para que de alguma maneira, a população brasileira fique mais tranquila e menos em pânico.

1º Fator:

As características demográficas da população italiana diferem de outros países. Em 2019, aproximadamente 23% da população italiana tinha 65 anos ou mais. O COVID-19 é mais letal em pacientes mais velhos. O que não é diferente de muitas outras doenças. Sabemos que quanto mais velhos somos, maior a probabilidade de alguma doença nos acometer. A taxa geral de mortalidade na Itália (7,2%) é maior que na China (2,3%). Outro dado importante é que um número importante de pacientes acometidos na Itália são de pessoas acima de 90 anos (n=687), e essa faixa etária apresenta uma taxa de mortalidade ainda maior (22,7%), o que aumenta a taxa de mortalidade em geral ainda mais. 

2º Fator:

Uma outra explicação para a alta taxa de mortalidade italiana pode ser como as mortes relacionadas ao COVID-19 são identificadas na Itália. Nesse país, qualquer paciente que tenha o vírus identificado e morre, julga-se que ele morreu em virtude do COVID-19. 

Nem todos os pacientes que tenham o vírus vão morrer por causa do vírus. Talvez ele já tenha outra doença que gerou outras consequências mais graves, e morreu devido a complicação dessa outra doença. Mas, ao fazer o exame, foi identificado o COVID-19. Isso irá aumentar consideravelmente o número de mortes devido ao COVID-19. 

Esse estudo pegou uma pequena amostra de 355 pacientes que morreram devido ao COVID-19 que morreram na Itália, sendo feito uma revisão detalhada do prontuário. Entre esses pacientes, a idade média foi de 79,5 anos. Nesta amostra, 30% apresentavam cardiopatia isquêmica (ou seja, já sofreram infarto alguma vez, ou tinham angina), 35,5% apresentavam diabetes, 20,3% apresentavam câncer ativo, 24,5% apresentavam fibrilação atrial, 6,8% apresentavam demência e 9,6% tinham história de acidente vascular cerebral (AVC).

O número médio de doenças preexistentes foi de 2,7 (ou seja, as pessoas que morreram, em média tinham quase 3 dessas doenças combinadas). Isso demonstra que quanto mais doenças você tem, maior a chance de mortalidade para o COVID-19. Assim é a vida para muitas outras doenças.

3º Fator:

O Ministério da Saúde Italiano priorizou desde o início o teste para pacientes com sintomas clínicos mais graves, com suspeita de COVID-19 e que tinham necessidade de se hospitalizar. Ou seja, àquelas pessoas que tinham o vírus no corpo, mas não tinham nenhum sintoma ou sintomas muito leves da doença, não era realizado o teste.

Sabemos que uma grande quantidade de pessoas podem ter o vírus no organismo, mas esse vírus não causa nenhum sintoma para a maioria desses pacientes. Como na Itália só foi realizado o exame para aquelas pessoas que já estavam muito doentes, por consequência, a taxa de mortalidade também é maior, pois não é levado em consideração todas aquelas que pessoas que tiveram o vírus e não tiveram sintomas. 

Na Repúblicada da Coréia, por exemplo, uma maior parte da população, mesmo que sem sintoma, já faz o exame, e com isso, a taxa de mortalidade é menor (1%), comparado a Itália, que é 7,2%. 

CONCLUSÃO:

É muito importante que identifiquemos como é calculado a taxa de mortalidade no Brasil, e se os pacientes que falecem no Brasil são em decorrência do COVID-19 ou se a causa da morte foi devido a outra doença. O indivíduo pode ter o COVID-19, mas não morrer pelo COVID-19. 

Exemplo: Uma pessoa pode ter um infarto, um câncer em fase terminal e morrer devido a essas doenças, mas se for realizado o exame do vírus COVID-19 nesse indíviduo, pode ser que dê positivo para o COVID-19. Nesse caso, ele entrará na estatística de mortos por COVID-19 ou não? É importante atentarmos para isso e não entrarmos em pânico com a doença. 

A Itália tem aproximadamente 23% de pessoas idosas acima de 65 anos. No Brasil é em torno de 8,06%. Outro dado importante é que Itália é campeã no número de pessoas com maior número de 100 anos. Na Itália existem mais de 14 mil idosos acima de 100 anos, e em 2019 tinham 1.112 acima de 105 anos de idade. 

Não queremos e não desejamos morte a ninguém. Mas precisamos de analisar os dados com cautela, para não causar mais pânico e medo a todos nós. Sabemos que a vida tem seu curso natural, e a medida que envelhecemos, também morreremos. 

O que esse estudo demonstrou foi que essa doença está afetando exatamente pessoas com maior número de doenças mais complicadas associada a idade mais velha. E mesmo que a pessoa tenha tais doenças, não significa que ela irá morrer ou ser hospitalizada. Muitas serão curadas e sobreviverão. 

Referência: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2763667?resultClick=1