Partindo do pressuposto que o isolamento horizontal é utilizado para que o sistema de saúde não entre em colapso, temos que entender melhor algumas variáveis, para que não sejamos manipulados por nenhuma instituição, mídia ou órgão público.

O Vídeo fala sobre a importância da Prefeitura de Belo Horizonte ser mais transparente e clara nas informações sobre o número de leitos de CTI nos hospitais públicos de Belo Horizonte, destrinchando-os por unidades hospitalares ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), além de informar quantos leitos novos foram implantados e quantos respiradores foram adquiridos durante esse período de rígido Isolamento Horizontal decretado pelo prefeito da capital mineira.

O argumento inicial de muitos estudiosos é que precisamos do Isolamento Horizontal para o sistema de saúde não entrar em colapso.

Primeiro, é importante analisarmos se a premissa é verdadeira. O argumento julga que o sistema de saúde público emergencial não está em colapso e nunca entrou em colapso. Precisamos de interrogar se essa premissa é de fato verdadeira e como está o Sistema Único de Saúde no que tange a Urgência e Emergência de Belo Horizonte e do Brasil. Nos últimos anos, vimos diversas notícias na mídia sobre a superlotação de hospitais públicos, pacientes sem leitos nos corredores, pacientes morrendo por falta de vagas na UTI. Tais notícias são comuns e corriqueiras nas últimas décadas no Brasil. Coloquei uma série de links no fim do texto demonstrando e corroborando com tais informações.

No site do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, em 2010, há uma notícia datada de 2010, informando que de Janeiro a Outubro de 2010, houve 61 pessoas procurando a justiça para conseguir internar em uma UTI. Nesse mesmo site informa que Belo Horizonte tinha uma disponibilidade de 621 Leitos de UTI públicos. Achei estranho essa informação, visto que na publicação do dia 20 de Abril de 2020, pelo Estado de Minas, o prefeito de Belo Horizonte informou ter 409 leitos de UTI, com a possibilidade de aumentar 269 + 70 leitos de UTI em 60 dias, totalizando daqui a 60 dias, 748 leitos de CTI. Ou seja, se analisarmos apenas essas informações hoje BH tem menos leitos (409) comparados a 2010 (621). O mais estranho é que ao analisar o Relatório de execução anual das ações governamentais de 2019, extraído do próprio site da Prefeitura de Belo Horizonte, observamos que em 2019, há 838 leitos de UTI. O que não condiz com os dados informados no dia 20 de Abril pelo prefeito.

Nesse momento, não sei em qual dado confiar.

Exatamente por isso é necessário que a prefeitura ou o prefeito Kalil explicite melhor tais informações, informando onde estão esses leitos de UTI, e quais deles foram inseridos para a pandemia do Coronavírus. É fundamental entender tais ações, visto que o principal argumento da medida de Isolamento Horizontal é para achatar a curva de propagação do vírus, e assim evitar que muitas pessoas morrem por falta de leitos.

Caso a prefeitura não tenha inserido novos leitos e novos respiradores não entendi a necessidade de uma medida extremamente rigorosa de isolamento horizontal. Acrescento que procurei nas informações divulgadas pelo site da prefeitura de Belo Horizonte, no setor de transparência, data de 21 de Abril de 2020, porém não encontrei obras referente a construção ou reforma de leitos de UTI. Ressalto que pode ser que as tenha, mas não as encontrei, e cabe a Prefeitura colocar tais informações mais visíveis ao cidadão. Caso você, leitor, encontre tal informação, peço o favor de inserir o link nos comentários.

Observei no site da PBH vários investimentos relacionados ao Coronavírus. O de principal valor foram as cestas básicas para famílias e estudantes da rede municipal, que totalizam um pouco mais de 40 milhões de reais. Existem outros investimentos para mascarás faciais, álcool em gel, avental e outros acessórios para prevenção. Porém, não vi investimento no que tange ao principal motivo do isolamento horizontal: aperfeiçoar a unidade de urgência para que pessoas não morram por falta de respirador ou vaga no CTI.

É importante destacar que a Fundação Hospital de Minas Gerais (FHEMIG) tem vários hospitais construídos dentro do município de Belo Horizonte. Os leitos hospitalares da FHEMIG são de todos os mineiros (inclusive Belo-horizontinos e do interior). Assim, proibir ônibus do interior de chegar a Belo Horizonte pode configurar um tremendo desrespeito com a população do interior. Todos os mineiros pagão impostos, e todos tem direito a saúde. Do mesmo jeito que o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil refere que o paciente do interior vem morrer em BH, é na capital do estado que encontra-se o maior número de hospitais do Estado, em que a própria população belo-horizontina também é assistida, por direito. Ressalto que pode acontecer dos hospitais voltarem a ficarem lotados de pacientes nos corredores, e às vezes, sem vagas no CTI, mas devemos ficar atentos se tal superlotação é referente ao Coronavírus ou não.

Antes mesmo da pandemia, conforme noticiado, já era demonstrado a ausência de leitos e superlotação de unidades hospitalares. O Colapso da Urgência e Emergência do SUS já existe há anos, e não cobramos dos governantes o investimento necessário. Ser prefeito de uma capital do Estado é fundamental ter responsabilidades e bom dialogo com o governador e o presidente da Nação, entendendo a diversidade cultural e financeira não apenas dos cidadãos do município, mas de todos os envolvidos.

Por fim, cabe ressaltar que no site da prefeitura de Belo Horizonte tem diversas informações sobre as ações feitas pelo coronavírus e cabe a nós, cidadãos de Belo Horizonte, nos manter informado. Aliás, tem vários links para denúncias de estabelecimentos comerciais que estão abertos nessa “quarentena”. A PBH não quer saber do que é essencial para você, e de forma ditatorial, proíbe pessoas de trabalhar e estimula as denúncias contra os cidadãos do bem.

É nosso dever cobrar ações da gestão pública para o enfrentamento do Coronavírus de forma equilibrada e responsável, e se encontrarmos incongruências, fazermos as devidas denúncias.

Foi decretado pela Prefeitura de Belo Horizonte o Estado de Calamidade, sendo que ainda é necessário ser aprovado pelo legislativo. Ao se decretar Calamidade, a prefeitura terá maior autonomia financeira e administrativa. Sejamos mais profundos e analíticos das ações e falas dos nossos governantes. Jargões e populismo barato não podem se destacar no Brasil novamente.

Referências:https://prefeitura.pbh.gov.br/saude/coronavirushttps://jornal.usp.br/artigos/isolamento-horizontal-versus-isolamento-vertical-no-combate-a-covid-19/https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/04/20/interna_gerais,1140365/alexandre-kalil-a-guerra-comecou-e-nos-nos-preparamos.shtmlhttp://portalfmb.org.br/2017/05/29/mg-unidades-de-urgencia-de-belo-horizonte-estao-na-uti/https://blog.ipog.edu.br/saude/direito-sade-como-conseguir-uma-vaga-na-uti/http://www.crmmg.org.br/interna.php?n1=13&n2=28&n3=200&pagina=202&noticia=1888https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/05/02/mais-de-8-pessoas-morrem-por-dia-a-espera-de-um-leito-de-terapia-intensiva-em-hospitais-publicos-do-rj.ghtmlhttp://geoobras.tce.mg.gov.br/cidadao/Default.aspxhttps://prefeitura.pbh.gov.br/transparencia/licitacoes-e-contratos/editais-e-contratos/contratos-coronavirushttps://prefeitura.pbh.gov.br/sites/default/files/estrutura-de-governo/planejamento/SUPLOR/Diretoria%20Central%20de%20Planejamento/Revistas%20Balan%C3%A7o/relatorio_acoes_governamentais_2019_0.pdfhttps://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/04/25/kalil-diz-que-governo-deve-r1-bilhao-para-a-saude-na-grande-bh.ghtmlhttps://www.otempo.com.br/cidades/bh-decreta-estado-de-calamidade-publica-em-funcao-da-pandemia-do-coronavirus-1.2327221#coronavírus#covid#belohorizonte#bh#cti#transparência#dúvidas#esclarecimento#pandemia#isolamentohorizonte