É muito, mas é muito difícil gerar emprego no país.

Muito se fala de grandes empresários que sonegam notas fiscais, que praticam corrupção, que usam de meios indevidos e ilícitos para crescerem e terem grandes fortunas. Semanalmente, ou quase diariamente, vemos notícias de tais empresários em manchetes na TV, nos jornais ou na Internet enriquecendo de forma ilícita.

Por outro lado, não vemos os milhares de empresários que tiveram que fechar as portas.

Nas últimas décadas foi criado no Brasil a ideia de que empresário era contra funcionário, a ideia de que patrões não se solidarizam com os funcionários, a ideia do eles contra nós.
Foi criada a ideia de que os empresários ficam sentados só vendo os “trabalhadores” trabalharem, como se os empresários não trabalharem e não fosse um trabalhador. Como se o empresário não ficasse preocupado durante o dia e à noite com o salário a pagar dos funcionários e com toda a despesa da empresa.
Nos últimos anos foi criada a ideia de que o bom é ser servidor público, já que tem estabilidade e muitas vezes tem grandes feriados durante a semana, principalmente quando une quinta, sexta e sábado, ou segunda e terça. Na contra-mão, ser empresário ou funcionário de empresa privada dificilmente tem essa “mordomia”, porque afinal de contas, criaram a ideia de que patrão precisa abrir o estabelecimento inclusive feriado porque só pensa em dinheiro.
Estou escrevendo esse texto para expressar o meu inconformismo diante de todas essas ideias que são criadas de uma forma tão natural na cabeça das pessoas, que muitas acreditam como uma verdade absoluta.
Infelizmente a situação do Brasil não é essa. É importante dizer isso. Quem já foi empresário, ou já tentou ter uma empresa que empregue funcionários de forma honesta sabe muito bem disso.
Não é fácil! É muito, mas muito difícil!
A partir do momento que se torna dono de uma empresa e você tem pessoas a pagar um determinado salário, o contexto da vida daquela pessoa muda. A preocupação do individuo não é apenas 8 horas por dia, 5 a 6 vezes na semana! A preocupação agora é diária, 24 horas por dia, sete dias na semana.
Muitos questionam: “Será que terei dinheiro para pagar o funcionário? Tem que entrar quanto dinheiro para pagar o funcionário, aluguel do imóvel, condomínio do imóvel, FGTS, INSS, luz, água, internet, impostos do simples, taxas de licenciamento, contabilidade, produtos para matéria prima ou equipamentos? Se alguém ficar doente, vou achar outra pessoa para o lugar rápido? Como vou fazer? Os clientes não estão comprando, como vou pagar as contas?”
A maioria dos empresários brasileiros trabalham muitas vezes 7 dias na semana com a cabeça preocupada em pagar os funcionários e todas as outras taxas inerentes a empresa, e se der, sobrar um pouco para a família e para si próprio.
São esses empresários que muitas vezes desejam sair dessa “estabilidade” e correrem o risco em empreender. Preferem correr o risco de não dar certo o empreendimento para não ficar na mão de um Estado Falido e a qualquer momento pode não mais conseguir pagar os respectivos salários.
São esses empresários que fazem grande parte da economia do Brasil gerar. São mais de 15 milhões de empregos gerados por esses empresários! São esses empresários que estimulam, que pagam muitos impostos e proporcionam o pagamento de muitos servidores públicos que tem feriados alargados ou salários gigantes pelo Brasil.
A maioria desses empresários vieram de famílias humildes, simples e não tem nada dessa ideia de poderosos criados há décadas no Brasil.
A maiores desses empresários sacrificam finais de semana e feriados com a família, simplesmente pelo prazer em empreender, gerar empregos e ver o negócio crescer.
Existem àqueles empresários que só pensam em dinheiro e ofendem os funcionários? Sim. Existem. São esses que passam constantemente nos jornais. Porém, apesar de serem frequentemente noticiados eles são em números bem inferiores àqueles que trabalham arduamente de segunda a segunda.
Para você ter uma ideia da desproporção desses noticiários e muitas vezes não vimos nos jornais: foi feito um levantamento pelo IBGE em 2018, e foi observado que desde 2014 o número de fechamentos de empresas tem superado o número de aberturas. Em 2016 foram fechadas 719,6 mil empresas no país.
Vou repetir o número: 719,6 mil empresas foram fechadas no país.
Os motivos são vários, além da crise instalada no país. Mas um dos motivos óbvios é a imensa dificuldade para abrir e manter uma empresa pagando todas as despesas de um estabelecimento como esses.
Imagina o fechamento de 719 mil empresas? Imagina seu amigo ou vizinho fechando a empresa, e por isso tendo que demitir 1, 2, ou mais funcionários.
Não imagine apenas o número 719 mil empresas. Não imagine a empresa!
Veja o que está por trás desse número.
Quantas pessoas são influenciadas por esse número além do próprio empresário e de sua família? Existem os funcionários da empresa e toda a família desse funcionário.
Não posso dar certeza, mas pelo que vejo no dia a dia a maioria dessas empresas não tem proprietários milionários e tampouco são poderosos. São gente como a gente, são pessoas querendo melhorar a vida, mas não conseguem devido a uma série de despesas relativas a manutenção de uma empresa, principalmente a alta carga de impostos e taxas.
Por outro lado, Para aqueles que conseguem sobreviver a toda essa complexidade de despesas a pagar, o sacrifício vale a pena não apenas pelo dinheiro e pelos objetivos pessoais atingidos, mas pelo fato de participar ativamente da economia social gerando empregos para mais e mais pessoas.

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