Mulher Idosa grita e pede por socorro

idosa

Uma mulher de aproximadamente 72 anos foi vista levantando as mãos e se apoiando na parede de uma casa na última terça feira em tradicional bairro de Belo Horizonte. Ao gritar, dizia que o homem estava querendo rouba-la.

Um homem jovem, de aproximadamente uns 35 anos estava ao lado, quando ela começou a gritar e pedir por socorro.

O homem estava visivelmente nervoso, assustado. Começou a xingá-la. Devido a gritaria do momento, muitos moradores abriram a janela para ver o que estava acontecendo.
Por coincidência, eu estava próximo a esse local, sentado na praça, descansando de uma leve corrida que havia feito na região.
Estava descansando naquele momento e observando as poucas pessoas que por ali passavam. Algumas voltavam da padaria, outras corriam para o colégio, aparentemente atrasados, outras com um olhar para baixo e com passos largos. Poderiam estar refletindo sobre a vida, o trabalho ou estavam apenas preocupados se iriam atrasar para o trabalho ou não.
Eu estava há aproximadamente 100 metros do local e não consegui ouvir detalhadamente o que esse homem falou a mulher, mas observei claramente as expressões de nervosismo, com gestos parecendo que estava com raiva.
Deixou a mulher naquele local, gritando, pedindo socorro e saiu rápido do local.
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Passaram alguns segundos, a mulher abaixou para pegar algumas sacolas que havia caído no chão, o homem subiu a rua rapidamente e virou a esquina. A mulher continuou a descer a rua normalmente.
Esse foi o fato que aconteceu sem evidenciar o contexto e os acontecimentos anteriores que determinaram tal situação.
Se pararmos aqui, a nossa imaginação pode ser fértil e imaginar variadas situações que poderiam explicar ou não uma situação específica. A minha e a sua mente pode seguir direções distintas a partir de um mesmo fato.
Muitos de nós não temos interesse em tentar entender o que aconteceu por vários motivos diferentes: o principal, para muitos, é que isso não interessa em nada a vida do próprio leitor. O segundo que é mais fácil captar a manchete do texto, se assustar, refletir um pouquinho e seguir a vida, sem ler o restante do texto. As vezes o leitor interpreta a situação de uma determinada maneira, e sem ler todo o texto, sem criticar o autor do texto no sentido de querer obter maiores detalhes, se contenta com aquilo e já repassa a informação do jeito que ele interpretou e pronto. O terceiro motivo é a prolixidade do autor sobre o tema no texto e por consequência uma demora a chegar ao objetivo final. Muitas vezes essa prolixidade e falta de contextualização é feita de forma proposital, pois, para o redator, o interesse é o clique na manchete e ponto. O clique no título aumenta o número de usuários únicos que veem a página, o site fica bem visto, e mais empresas tem interesse em anunciar na instituição que deu origem a manchete. Em alguns casos há pouco interesse por parte do redator que o leitor continue a leitura do texto completo. Até porque muitos anúncios estão na parte superior do site, mais fácil para chamar a atenção do leitor.
Voltando a situação, como eu já me encontrava na Praça há alguns minutos observando o ambiente, há uns 5 minutos antes desse fato propriamente dito, esse mesmo homem estava passando pela calçada, com fone no ouvido e com roupas de correr, provavelmente se preparando para uma corrida pela manhã na pista de cooper próximo ao local. Ao passar em frente uma verduraria, essa mesma mulher interrompeu a caminhada desse homem e falou algo a ele. O que eu observei foi que esse homem mudou o sentido por onde caminhava, deu a mão a mulher e ajudou a carregar as sacolas que antes estavam nas mãos dela. Logo no início a mulher aparentemente mostrava alguma dificuldade para se locomover, mancando em alguns passos e em outros momentos caminhando normalmente. Achei curioso por em alguns momentos ela caminhar muito bem, e em outros, apresentar muita dificuldade na locomoção. Talvez por isso me fez seguir com olhares essa idosa e o homem.
Fiquei observando a situação de longe, pois assim como a maioria de nós, seres humanos, tenho alguma curiosidade sobre a situação de algumas pessoas.
Porém, de repente a mulher idosa começa a gritar, pedir por socorro e dizer que estava sendo roubada por ele.
Foi nesse momento que os objetos caíram no chão, o homem ficou assustado. A expressão facial dele mudou, estava parecendo estar com muita raiva ou medo, não consegui observar melhor.  Vi que ele optou por sair rápido do local, deixou a mulher gritando sozinha naquele lugar, virou a esquina, colocou novamente os fones de ouvido e recomeçou a andar no sentido que já estava.
Curioso que sou por algumas situações, e como eu estava descansando (estava à toa naquele momento), fui tentar entender aquela situação embaraçosa que havia acabado de acontecer com outras pessoas daquele local.
Ao pesquisar descobri que a idosa faz isso diariamente com várias pessoas diferentes. Descobri que ela consegue andar normalmente. Descobri que ela costuma elogiar carinhosamente e sexualmente os homens que a ajudam.
Pouco descobri sobre essa idosa em si. Não contactei familiares, não sei do estado de saúde dela, não sei sua história de vida. Não posso julga-lá, não posso dizer o que leva a essa pessoa fazer isso com as pessoas diariamente. Pode ser vários motivos, inclusive de saúde. Mas não posso julga-lá.
Seria muito fácil julga-lá, assim como seria fácil julgar o homem e o condena-lo por uma suposta tentativa de roubo. O que não foi observado de acordo com o contexto.
Assim é a nossa vida, em todos os momentos, decidimos diariamente o que é de uma maior ou menor importância. A todo momento tendemos ao julgamento, seja para o lado bom ou ruim, ou para um lado e outro (não precisa ter necessariamente um lado bom e outro ruim), mas infelizmente, muitos de nós temos o péssimo hábito de julgar uma determinada situação de forma instantânea, sem avaliar o contexto geral e os diversos fatores que geraram um determinado fato.