O Assassinato da Educação Brasileira?

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Assassinar nesse caso pode ser entendido como aniquilar, destruir, exterminar a educação básica brasileira.

Para alguns, pode ser um exagero. Para outros, é simplesmente a pura verdade do que está acontecendo nas escolas básicas do nosso Brasil.

Nos últimos dez, quinze anos, os professores com maior experiência observaram uma mudança profunda no modo como se ensina aos alunos, e como os professores são tratados nas escolas brasileiras.

Uma questão polêmica que vem sendo discutido em alguns almoços de fins de semana nas casas de famílias do Brasil é a reprovação ou não dos alunos nas escolas brasileiras. Sim, isso é discutido dentro de casa de muitas famílias, e muito!

Os alunos de hoje em dia dificilmente são reprovados nas escolas. Como diz minha Tia, que é Professora: “Eles (alunos) têm que se esforçar muito para conseguirem serem reprovados”.

É uma “mudança de valor e de conceitos” muito grande.

Mas um detalhe:

Essa mudança de valor só vale nas escolas PÚBLICAS, pois em escolas particulares, faculdades, pós graduações ou qualquer outro tipo de curso você não vê essa “mudança de conceito”.

Alguns favoráveis a essa prática dizem que se o aluno foi reprovado a culpa é do professor, pois não soube ensinar de maneira didática e diferente a esse aluno. Outros dizem que esse aluno não pode ser reprovado, pois pode piorar a auto estima da criança ou sofrer bullying nas próximas séries. Alguns estudiosos e teóricos sobre o assunto vão falar que o problema não está no ensino, e sim na estrutura social-familiar desse aluno, e por isso a reprovação de nada adiantará.

Ora ora…. O que é então a reprovação no ambiente escolar?

Talvez o termo “reprovação” seja repleto de estigmas e “preconceitos” que infelizmente serão difíceis de serem modificados. Então, por que não falarmos em “Nova Oportunidade”? Que tal substituirmos o termo reprovação para “nova oportunidade”?

A reprovação não pode ser entendida como forma punitiva, mas sim como uma nova oportunidade de aprender. Quantos pais gostariam dessa nova oportunidade para o seu filho? Quantos desempregados gostariam de uma nova oportunidade no seu emprego anterior para fazer diferente, e não ser demitido? Quantos adultos gostariam de uma nova oportunidade para fazer diferente, e estudar mais na infância? Quantos maridos ou esposas gostariam de uma nova oportunidade diante do seu companheiro ou companheira?

Precisamos de novas oportunidades constantemente na nossa vida e estamos tirando a possibilidade de uma nova oportunidade de quem mais precisa: uma criança.

Triste realidade.

Triste “ideologia” essa prática nas escolas públicas do nosso Brasil.

Será que de fato estamos sendo humanos e pensando nas dificuldades da nossa criança ou do nosso adolescente? Será que de fato estamos pensando no bem estar do aluno, e desejando que ele de fato tenha melhores oportunidades?

Fato é, que a atualidade em que vivemos, é muito difícil um professor conseguir ensinar para cinquenta alunos de diferentes níveis, com didáticas completamente diferentes para cada nível de aluno.

Um professor com baixíssima remuneração e pouco incentivo a qualificação dificilmente irá conseguir tal êxito.

Isso é tão verdade que as próprias escolas particulares ou faculdades não praticam tal “ideologia”. Um aluno de escola particular que não apresenta notas suficientes para ir para o próximo nível, tem uma nova oportunidade de aprender. Os alunos de graduações ou pós graduações que não apresentam níveis acima do esperado também possuem uma nova oportunidade. Mas os alunos de escolas públicas dificilmente conseguem essa nova oportunidade. Estranho não?

E o que isso acarreta? Quais são os problemas disso?

Todos os possíveis.

E independente se você é um professor ou não, isso afeta diretamente você. Como assim?

O MEC divulgou no mês de Agosto de 2018 que 70% dos estudantes do ensino médio estão com nível insuficiente em língua portuguesa e matemática. Ou seja, para cada dez alunos do ensino médio, sete não aprenderam o básico que deveriam saber nessas disciplinas.

Triste realidade.

A maioria dos adolescentes que saem das escolas têm basicamente cinco possibilidades futuras: 1) Ingressar na faculdade ou 2) Trabalhar 3) Fazer Curso Técnico 4) Trabalhar e Estudar ou 5) Não estudar e não trabalhar

O que isso tem a ver com você?

Imagina uma escola básica que 70% dos alunos formam e não sabem o básico?

Imagina esse aluno entrando na faculdade? Imagina as dificuldades desse aluno e o sofrimento desse aluno diante dos colegas? Os problemas emocionais, a auto estima estarão inalteradas? E esse aluno formando como engenheiro, advogado, médico ou professor?

Posteriormente ele irá atuar como um profissional que poderá prestar um serviço para você ou para seu filho. Certo?

Se ele cometer algum erro ou equívoco, você terá coragem de culpá-lo? Ou será que vai lembrar de culpar o sistema? Ou pior, também vai culpar o professor da escola básica? Ou vai entender que erros acontecem?

E se esse aluno for trabalhar prestando algum tipo de serviço, público ou privado?

Imagina ele no Banco ou Telemarketing não conseguindo resolver um problema básico para você? A culpa será dele? Você irá reclamar com ele ou da escola? Ou não irá reclamar?

E se ele for qualquer outro profissional que preste um serviço para você, mas de maneira ineficaz. Você irá culpá-lo ou terá coragem de falar que a culpa é do sistema que não o ensinou adequadamente?

Triste realidade.

A educação está sendo destruída, e a causa é: falência múltipla dos órgãos.

Ainda não falei dos professores.

Afinal, a culpa é dos professores, não é mesmo?

Claro que não!

Infelizmente é isso que estou observando a “ideologia” falar: “se o aluno não passou ou se não aprendeu, a culpa é do professor”.

Essa “ideologia” então criou um novo dilema na educação pública:

De um lado: professores. Do outro: alunos.

E no meio a confusão instalada.

De um lado, a direção escolar cobra dos professores diferentes maneiras de ministrar uma aula, visto a diferença dos níveis escolares dos alunos. Por outro lado, os alunos em uma mesma série estão absurdamente desnivelados em termos de conhecimento e torna-se muito difícil um professor em uma mesma aula ter diferentes conteúdos para ensinar simultaneamente. Enquanto alguns estão aprendendo a ler uma frase, outros estão interpretando textos mais complexos.

E no final do ano? Se o aluno é reprovado na disciplina, a culpa é do professor que não soube ensinar.

Se o aluno é indisciplinado na sala de aula, a culpa é do professor, porque não soube organizar métodos para ajudá-lo a focar e disciplinar.

Se o aluno agride o coleguinha, a culpa é do professor, que não viu e não evitou que isso acontecesse.

Se o aluno cai em sala de aula ou no Recreio, a culpa é do professor que não o segurou.

Se o aluno não tem boas notas no Enem, o professor não era bom o suficiente.

Se o aluno não aprende a ler e a escrever, a culpa também é do professor que não o ensinou adequadamente.

Se 70% dos alunos do ensino médio tiverem notas insuficientes em português e matemática, a culpa é do professor.

Temos uma educação básica de péssima qualidade, e a culpa é do professor.

Se o aluno sofre bullying na escola, a culpa é do professor que não evitou.

É tudo isso que escuto dos professores e de alguns educadores.

Mas………

E se o professor desiste da licenciatura, e não há mais professor para ministrar a aula, a culpa é de quem?

E se o professor adoece devido às condições de trabalho expostas a ele, a culpa é de quem?

E se o professor pede transferência de escola, pois já não suporta a tamanha pressão, a culpa é de quem?

E se o professor não tem tempo para cuidar dos filhos ou ter mais tempo para marido ou esposa, a culpa é de quem?

E se o professor é ameaçado na escola, a culpa é de quem?

Se o professor chama a atenção de aluno por indisciplina, a culpa é de quem?

Tudo é culpa do professor?

Na mídia vemos governantes fazendo propaganda. Promete mundos e fundos para os professores nas épocas eleitorais.

Abraçam professores, vão às escolas pedir voto.

Mas no fim, a culpa é de quem?

A culpa não é dos professores. A culpa não é da direção escolar.

A culpa é de todos nós brasileiros, que não exigimos qualidade na nossa educação.

A culpa é nossa por não reivindicarmos os nossos direitos.

A culpa é nossa por aprendermos a ter medo daqueles que se acham mais “fortes”.

A culpa é nossa que ficamos calados e deixamos os mafiosos no poder!

A culpa é nossa, que agora entendemos que ser honesto no Brasil é uma grande qualidade, e não mais que uma obrigação.

A culpa não é dos professores.

A culpa é de todos nós que não ensinamos aos nossos filhos e amigos dar valor aos nossos professores, que não lutamos pela valorização dessa classe que irá ajudar a educar o seu filho.

A culpa é nossa, que ficamos calados e omissos com as injustiças na sala de aula, com as injustiças que acontece no seu trabalho, na sua comunidade ou na sua cidade.

Estamos matando a educação brasileira. Somos cidadãos brasileiros e somos os maiores culpados!

O que vamos fazer para não dar o último tiro na educação brasileira?