O Desafio do Celular!

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Durante a aula de introdução à ciência jurídica o professor citou a importância de evitarmos telefones celulares na sala de aula, e nos fez um grande desafio: ficar a próxima aula sem fazer uso do celular.

Difícil não?

Ótima iniciativa do professor.

Naquele mesmo momento pensei sobre o assunto e logo após a aula evitei colocar a mão no bolso para usar o celular, e pude conversar com os colegas.

E uma surpresa boa… tive a oportunidade de conversar melhor com uma colega ao meu lado.

Conheci então uma jovem mulher, nascida no norte de Minas, de família humilde, e atualmente residente em BH.  Veio para a capital em busca de novas oportunidades há um ano e meio.

Atualmente ela sai de casa para estudar o curso de Direito às cinco da manhã, e de lá segue para o trabalho, chegando novamente em casa apenas uma da manhã do dia seguinte.

Ela mora sozinha, os pais estão no interior. Batalhadora essa mulher.

Fiquei feliz de poder encontrá -la e saber um pouquinho mais da vida dela. Aprendo com ela.

Imagino o quão difícil seja a vida dela, assim como a de milhares de brasileiros ao nosso redor.

Mas ela não desiste e tem um sonho.

A força e a coragem dessa mulher para sair de casa tão cedo para estudar, e posteriormente trabalhar, chegando em casa apenas uma da manhã diariamente. Essa não é uma tarefa fácil de se fazer de segunda a sexta.

E detalhe: sozinha em casa: sem amigos ou pais para conversar quando chegar.

Isso me lembrou de um antigo colega de cursinho, há mais ou menos 12 anos atrás.

Durante uma aula de cursinho pré vestibular conheci um jovem rapaz, também do interior de Minas Gerais.

Lembro-me dele contando que ele morava em uma roça, que ficava dezoito quilômetros da escola em que estudava o ensino médio.

Não existia ônibus para transportá-lo. Mas ele me dizia que tinha um sonho: estudar medicina.

Ele andava diariamente 18 Km para estudar, e voltava só a noite para casa, voltando a pé os 18 Km.

Ao fazer o vestibular ele não obteve boas notas, e resolveu então vir para Belo Horizonte. Ao chegar na capital, não tinha dinheiro para pagar cursinho.

Foi então se apresentar ao diretor do cursinho para tentar uma bolsa, e de fato conseguiu uma bolsa de 100%.

Após um ano de estudos, lá estava ele entrando na Faculdade de Medicina. Hoje ele está terminando a residência de Neurocirurgia. Será um excelente Neurocirurgião.

Não foi fácil; mas ele foi guerreiro, foi vibrante.

Ele foi Ser Humano.

São jovens garotos mineiros, humildes, que acreditaram nos seus potenciais.

Assim como eles, todos nós temos esse potencial guardado conosco, pois somos seres humanos.

Precisamos acreditar mais nas nossas competências, ter mais força para não cairmos diante das primeiras dificuldades. Levantar a cabeça após alguns tropeços que a vida nos proporciona e seguir em frente.

Um simples grande pedido do professor, para algumas reflexões:

1) A tecnologia nos ajuda, mas o uso constante dos aparelhos celulares está nos fazendo perder o contato conosco. Estamos abrindo mão de conhecer novas pessoas, conhecer histórias e aprendermos com o outro.

2) As dificuldades não são as mesmas para todos. Cada um passa por um momento diferente na vida. Alguns conseguem extrair todo o potencial que tem guardado dentro de si, outros já apresentam uma certa dificuldade. Independente disso, cada um de nós temos qualidades a serem transmitidas para o mundo: seja qual for sua idade, religião, ideologia, sexo ou escolaridade.

3) Em ambos os casos houve auxílio por parte da instituição de ensino em proporcionar bolsas escolares em 100% para os alunos. Não são instituições públicas. Muitas vezes criticam-se empresários por acúmulo de riquezas, mas deixa de ser observado a capacidade que muitos desses empresários têm em criar mais oportunidades de empregos, e mais pessoas alcançarem seus sonhos. Parabéns as instituições de ensino e a todos que promovem essas possibilidades.

4) Aproveite os ensinamentos diários do seu professor, dos seus pais, amigos, filhos. Eles estão constantemente nos passando grandes ensinamentos. Cabe a nós querermos enxergar ou não.

Obrigado professor!