Saúde mental materna: por que é importante falar sobre isso?

Precisamos falar sobre os cuidados de quem cuida. Neste artigo, vamos trazer à luz o debate acerca dos principais distúrbios que afetam a saúde mental materna.

Não apenas como um tema que circula nas rodas de conversas da comunidade científica como também dentro das casas e escolas.

Os distúrbios de saúde mental incluem uma variedade de sintomas e podem ocorrer durante a gravidez e no pós-parto, também conhecido como puerpério.  

A saúde mental materna em números

Segundo estudos desenvolvidos pela 2020mom, a depressão atinge cerca de 20% , a ansiedade 16% e transtornos de estresse pós-traumático até 4% das mães. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que esse tipo de distúrbio é muito comum.

O Baby blues, que é um estado mais leve de tristeza que ocorre no período perinatal, ou seja, logo após o parto, atinge cerca de 80% das mulheres e está diretamente relacionado com as mudanças hormonais. Mas isso não é a mesma coisa que depressão.

Por isso, precisamos identificar e entender um pouco mais sobre os sintomas de cada um dos distúrbios de saúde mental materna, como prevenir e ajudar as mães que se encontram nesta situação.

Depressão pós-parto

Este é um dos transtornos com maior probabilidade de aparecer e de demonstrar seus indícios ainda na gravidez. 

Deste modo, é necessário identificar os diversos fatores que contribuem para o surgimento da depressão ainda na gravidez.

Pode ocorrer eventos traumáticos durante a gestação ou no nascimento, tais como parto prematuro ou traumático e internações graves.

É importante identificar esses sintomas e oferecer apoio e tratamento para as mães que passam por esse processo.

Afinal, muitas das mulheres que sofrem de depressão não procuram os serviços de saúde por vergonha de revelarem seus problemas.

Na prática clínica, são utilizadas diversas ferramentas que possibilitam a avaliação dos sintomas em diferentes graus para identificar qual o transtorno a que está submetida.

O choro e cansaço excessivo, alguns sentimentos de raiva e tristeza não necessariamente indicam uma depressão pós parto, como foi dito anteriormente.

Isso pode acontecer porque muitas mulheres vivenciam a maternidade sem uma rede de apoio e podem se sentir sobrecarregadas.

A exaustão não significa depressão, porém, se esse problema persistir por um longo período de tempo, uma avaliação do profissional de saúde é necessária.

Além, é claro, do apoio da família e do parceiro para que a mulher não se sinta sozinha na tarefa do cuidado com o bebê e outras atribuições.

Ansiedade

Assim como a depressão, a ansiedade também se manifesta durante a gravidez e no pós-parto. 

Os sintomas incluem batimentos cardíacos acelerados, inquietação, insônia e preocupações excessivas com o futuro. 

Geralmente, as mães ansiosas estão sempre se sentindo culpadas ou cogitando possibilidades pessimistas de não ser uma boa mãe e não ser capaz de cuidar do bebê.

As mesmas orientações de tratamento e prevenção abordadas para depressão pós-parto podem ser aplicadas quando a ansiedade for diagnosticada numa mãe.

Isso inclui a avaliação emocional, cuidados com a rotina e uma relação de confiança entre o profissional de saúde e a mulher.

Este é outro cuidado importante, a escolha de um profissional que acompanhe a mulher grávida ou parturiente com o objetivo de obter um diagnóstico mais claro e fazer o encaminhamento para serviços especializados, se necessário.

A importância do apoio familiar para a saúde mental materna

O apoio familiar é fundamental, uma vez que as demandas do bebê são grandes e podem se misturar às tarefas domésticas.

Delegar as tarefas da casa para outras pessoas, como cozinhar, lavar e passar, enquanto a mãe cuida do bebê com o aleitamento e outras funções, pode ajudar a manter a saúde mental materna.

Este é um momento muito especial para algumas mulheres e pode ser entremeado por questões que foram ou não relacionadas à gravidez.

Além disso, é um período de muitas alterações hormonais.

Muitas mulheres grávidas sofrem com aborto espontâneo ou natimorto e acabam por desenvolver distúrbios como o estresse pós traumático.

Cada caso tem muitas especificidades que devem ser cuidadosamente tratadas. O cansaço, a privação do sono e as tarefas da maternidade são gatilhos para o desenvolvimento de um distúrbio da saúde mental materna.

É possível evitar essa combinação de estressores psicológicos, biológicos e sociais  e até mesmo tratar os distúrbios de saúde mental materna com apoio psiquiátrico e psicológico.

Material informativo para mães

É interessante que as mães busquem materiais de apoio para se informar e evitar que o estresse do dia a dia e momentos de tristeza se tornem um transtorno.

A Unicef desenvolveu um material para apoiar o Programa Criança Feliz, no contexto da pandemia do novo coronavírus, fortalecendo os familiares visitantes deste programa.

O conteúdo, que inclui vídeos e podcasts, pode contribuir para a elucidação de muitas questões como a ansiedade e a depressão materna.

Já o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece assistência à Atenção Primária à Saúde para o acolhimento a pessoas que estão em sofrimento, de acordo com as diretrizes da  Política Nacional de Humanização (2003). 

Isso significa que a saúde mental materna é um direito garantido pela Constituição Federal. Você pode acessar através dos Núcleos Ampliados de Saúde da Família (NASF) de maneira gratuita e irrestrita.

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