Uma maquiagem do passado em um futuro improvável

proibido carnaval

Com todo respeito a uma parte dos historiadores,
Com todo respeito àqueles que sofreram por algum motivo durante a década de 60 e 70 na chamada “ditadura militar”,
 
Fui estudante do ensino fundamental nos 90, e do ensino médio na primeira década desse novo século.
 
E o que aprendi da década de 60, 70 e 80 pelos livros que estudei do Brasil, que tais governos foram categorizados e denominados historicamente pela chamada “ditadura militar”, que tinham relatos de censura, falta de liberdade de expressão, associado a repressão e tortura.
 
Por muito tempo, foi me ensinado que os chamados intelectuais e artistas da época faziam músicas contra a ditadura militar. E que tais canções não poderiam ser óbvias para os olhos do governo.
Deveriam ser ocultas o real sentido, para assim, a música passar no crivo da censura. Pelo menos é o que diziam alguns autores dos livros pelos quais estudei e alguns professores.
 
E hoje (2019) de novo, uma nova música, feita pelo mesmo compositor de décadas atrás, junto com a cantora Daniela Mercury, foi publicada.
 
A música chama-se “Proibido o Carnaval”.
 
Atente-se para um trecho dessa música, publicada no Carnaval do Brasil de 2019:
 
“Tá proibido o carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o carnaval
Nesse país tropical
 
….O trio elétrico cantava
Libertando a multidão…
 
…Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar…”
 
Peço a licença para o leitor:
Leia novamente o trecho da música, ou caso deseje:
Procure toda a letra da música na internet e reflita.
 
Pois daqui em diante, eu me dou o direito de refletir sobre essa canção do meu jeito,
sem nota de prova para me preocupar.
Pois liberdade de expressão hoje eu tenho, e posso falar:
 
Hoje, eu escrevo e vivo o ano de 2019, no Brasil!
Escrevo na semana do Carnaval de 2019.
 
Sinceramente,
Não vi proibições alguma no carnaval brasileiro.
Não vi censura alguma.
Não vi ninguém libertando ninguém, pois a população já estava em liberdade.
 
O que eu eu vi?
Eu vi muita alegria e muita festa!
 
Mas eu também vi muita violência.
Não vi a violência da política ou do militar contra o cidadão comum.
 
Eu vi a violência de cidadãos contra cidadãos.
 
Eu vi assaltos, eu vi facadas, eu vi roubos aos montes.
 
Em vi uma sociedade com medo.
 
Mas não era medo de pular e festejar no carnaval.
Não vi medo de liberdade de se expressar.
Pelo contrário, os blocos eram em sua maioria associados a um cunho político contrário ao governo atual, e nada disso foi proibido.
Blocos carnavalescos sendo contrário ao governo atual não significa que a população estava contra o governo atual.
Não vamos inverter. Blocos eram de carnaval e alegria, e não manifestação geral política.
 
Não há como falar em resistência sobre algo que não se opõe ou não se proíbe.
Porque cantar e festejar não foi proibido.
 
Na campanha para presidente da república em 2018 eu vi muito relato de medo dos homossexuais saírem as ruas se o atual presidente ganhasse as eleições.
Eu vi cidadãos dizendo: “Se ele ganhar não poderei mais sair às ruas”
 
Mas eu não vi, nesse carnaval de 2019,
a transformação desse medo de 2018 em prática de 2019,
Eu não vi essa repressão elaborada na campanha política de 2018.
Atenção: Aquele Medo tão falado e comentado virou realidade em 2019?
Sinceramente, aquele medo propagada na campanha política, eu não vi.
 
Eu vi turistas franceses sendo esfaqueados durante o carnaval.
 
Isso eu vi.
 
Eu vi mulheres com medo de saírem de casa para não serem estupradas, como aconteceu em Belo Horizonte.
 
Isso eu vi.
 
Eu vi pais e mães evitando saírem de casa em Carnaval com medo de assaltos.
 
Isso eu vi.
 
Em Minas Gerais, a Polícia Militar informou que foram registrados 16 estupros em todo o período de carnaval, contra 26 em 2018, apresentando uma redução de 38,46%.
Em Belo Horizonte, sete pessoas foram vítimas de homicídio, duas a menos que em 2018.
Em relação à apreensão de armas de fogo, 341 foram apreendidas no estado, apresentando só na capital, um aumento de 30% nas apreensões.
No caso de crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes, a Polícia Militar registrou uma redução de quase 79%, de 61 em 2018 para 13 em 2019.
 
Em São Paulo os registros de homicídios no Carnaval caíram de 63 casos, no mesmo período do ano passado para 33.
Os casos de roubos em SP, em geral, também diminuíram, passando de 3.152 ocorrências no carnaval de 2018 para 2.996 este ano.
 
O meu medo é que essa música não tenha sido feita para o momento presente, mas para um improvável retorno dessas mesmas pessoas ao poder em um futuro.
 
Tenho receio dessa música ser uma maquiagem do passado em um futuro improvável.
Explico melhor:
Espero que meus filhos não veem nas escolas e faculdades, daqui a 20 anos, que o Carnaval de 2019 tenha sido proibido por um governo, como diz a letra da música cantada pela Daniela Mercury.
Essa música não pode eternizar nas escolas do nosso Brasil, assim como aconteceu com as músicas da década de 70 e 80.
Não sei mais o que é verdade histórica.
Quem nos contou essa verdade?
Esse mesmo compositor do carnaval proibido?
 
Espero que esse medo de assaltos, roubos e transgressões as regras sejam transformados em educação para todos do Brasil.
Sejam transformados em medo, mas medo de assaltante e estuprador saírem às ruas fazendo o que bem entende , pois não tem punição.Talvez, os dados demonstrados pela Polícia Militar já sejam um reflexo do novo governo que se iniciou.
E quem irá nos dizer, não será eu, tampouco o presidente da república, e muito menos uma música de carnaval;
Mas a realidade da pessoa humana no momento em que se encontra.
Quem vai perceber isso são as próprias pessoas no seu dia a dia. É você no seu dia a dia. Não é o passado e nem o futuro, é o seu dia a dia, assim como foi o seu carnaval.
 
Como?
 
Observando a redução ou não do medo individual em sair para as ruas nos próximo carnaval.
 
Termino dizendo, que uma educação com qualidade, desde o ensino básico e para todos, pode sim transformar o Brasil.
 
Uma educação que tenha diversidade de fontes e diversidade de ideias.
Uma história que seja contada por diferentes olhares, e não apenas por um.
 
É isso que espero desse novo governo do Brasil.
 
 
OBS: Hein, você aí… você mesmo…!!!
Você foi proibido de sair para o carnaval?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *