Velha Política x Nova Política

 

O que é velha e nova política?

Termos tão atuais e tão criticados por uns e elogiados por outros?

Alguns dizem que não há como discernir entre um e outro, pois tudo é política.

Eu, sinceramente, discordo dessa visão.

É lógico que tem uma essência na política, e a essência ao meu entender é baseado em dois mil e quinhentos anos atrás: proporcionar o bem comum.

Desde aqueles tempos tinha (ou tem) algo na própria política que não havia modificado: os meios de se fazer política.

Após 2 milênios e meio estamos diante de uma Revolução na comunicação humana, e isso está transformando a forma e a maneira de nos comportarmos diante dos acontecimentos e das informações proporcionadas por outras pessoas, tvs, jornais e grandes líderes.

Anteriormente a probabilidade de sermos manipulados por tais grupos era consideravelmente maior que nos dias atuais.

A informação era transmitida por pequenos grandes grupos, e a probabilidade dela vir distorcida da realidade era muito grande. O contraponto era inexistente diante da força desse poder.

Hoje em dia, uma informação transmitida por uma única pessoa, sem força econômica para se diferenciar, pode propagar por milhares, ou até milhões de pessoas. Vai depender da criatividade, da oratória, da capacidade de persuasão, mas principalmente, da autoridade conquistada gradualmente no decorrer do tempo diante de seu conteúdo proporcionado nas mídias sociais ou websites.

Há 20 anos atrás um programa de TV chamado Big Brother fez sucesso nas telinhas, pois ficávamos vigiando um pequeno grupo de pessoas dentro de uma casa e vendo o que ela fazia. Dali saia um vencedor, aquele que demonstrava maior relevância pelos fãs do programa era o grande vencedor. O que significava “ser relevante” na época, isso dependia dos telespectadores. Do lado oposto, o participante que demonstrasse características antagônicas do desejo da população, não era bem avaliado, e era eliminado do programa.

E dessa maneira o mundo está mudando, no Big Brother o meio era a televisão.

Hoje a população não está dependente da TV, e sim de outros meios de comunicação.

A mudança desses meios de comunicação transformou a política, e irá transformar ainda mais.

E por isso hoje eu falo sobre Velha e Nova Política:

Os políticos hoje, diferentes de tempos atrás, estão sendo mais vigiados do que nunca.

Aqueles que corrompem são vigiados e observados pelos olhos de toda uma população, que tem em suas mãos uma câmera de vídeo e foto, um microfone, e um propagador de informação chamada Internet.

Isso significa que a política em si não mudou, porque a política é o meio de proporcionar o bem comum, mas a forma como se faz política está mudando.

Quando falamos em velha e nova política estamos falando do meio, e de como fazer política.

Assim como a revolução industrial mudou o mundo na forma de produção, a revolução digital está transformando o meio de como obtemos as informações, a revolução na comunicação pode transformar a política de forma nunca antes vista.

Então, o que é velha política?

No meu entender:

A velha política é aquela que pede voto, e dá uma cesta básica.

É aquela que pede voto, e dá um emprego.

Ela pede voto, e consegue um favorzinho ali para o colega mais próximo ou familiar.

É aquela que pede um cargo na secretaria ou no ministério, em troca de um voto a favor na Assembléia ou na Câmara.

É aquela que pede um dinheirinho à uma empresa para alterar um artigo da Legislação, favorecendo a empresa e prejudicando o bem comum.

É aquela que defende o amigo político, mesmo sabendo de suas crueldades humanas já realizadas.

É aquela que faz uma lei para privilegiar a si mesmo em detrimento de tantos outros.

É aquela que pede um dinheirinho para ficar calado e não contar os podres do adversário para a população.

É aquela que paga publicidade da Prefeitura, do Estado ou da União em detrimento de uma suavização das críticas.

É aquela que se corrompe em prol do bem individual, ou de uma categoria específica quantitativamente menor comparada ao bem comum.

É aquela que privilegia os corruptos e os malfeitores em detrimento da moral e da ética pública.

É aquela que, às vezes, é capaz de matar para calar um adversário.

Isso não significa que todos os políticos faziam a velha política. Não! de forma alguma.

Muitos políticos exercem essa “nova” política há décadas, séculos, porém são minoria.

E eram menosprezados pelos ditos “velhos” da política.

Em contrapartida quem é a Nova Política?

É aquela que é capaz de proporcionar o bem comum em prol do bem individual.

Ela não faz política pensando em si e nos seus amigos e familiares.

Ela faz política pensando no bem da população em geral.

Muitas vezes não há como todos ficarem satisfeitos diante de uma situação, mas a essência é proporcionar o bem para maior número de pessoas a médio e longo prazo.

A nova política não costuma pensar a curto prazo, pois geralmente o curto prejudica o médio e longo prazo.

A nova política não aceita trocar cesta básica em voto, porque ela sabe que essa cesta básica tende a continuar sendo necessária por décadas para aquela família. E isso ela não quer manter.

A nova política é capaz de criticar um amigo, o seu próprio partido ou familiar se ele foi capaz de praticar atos da velha política.

A nova política pretende proporcionar condição sustentável para a pessoa que hoje pede uma cesta básica, não precisar de pedi-la nos próximos meses.

A nova política não aceita dinheirinho em troca de votos ou cargos.

A nova política está sendo vigiada o tempo todo pelas pessoas, e sabe que não pode entrar nos conchaves da velha política, nem um pouquinho que seja, pois caso contrário, o pouquinho que entra na velha política, ela já não é nova, ela é velha.

Cabe a nós, decidirmos e nos responsabilizarmos, se queremos ser os velhos cidadãos, ou os novos, que não aceitam essa velha política.

O Futuro do Brasil não está nas mãos da nova ou velha política, mas nas mãos dos cidadãos que irão decidir se querem a velha ou nova política.