Como lidar com ansiedade do dia a dia?

transtorno de ansiedade

Falta de atenção, preocupação intensa, insônia, suor excessivo, tremores, comportamento alterado, aperto no peito, pensamentos que causam angústia: você já passou por alguma dessas sensações? Saiba que todos esses são possíveis sintomas de ansiedade (físicos e mentais).

Por isso, saber como lidar com a ansiedade do dia a dia tem se tornado quase que uma meta geral de grande parte das pessoas, ou deveria estar se tornando. A crise de ansiedade é tida por muitos como o grande mal do século, um problema que vem prejudicando de forma exponencial a vida das pessoas.

Fazemos parte de uma sociedade ansiosa, que vive sempre com senso urgência e sem tempo para estabelecer hábitos saudáveis. Nunca existiu em toda a história da humanidade uma sociedade com uma mente tão estressada e carregada de pensamentos desnecessários como a nossa. A calma e a tolerância estão se tornando adereços de luxo.

 

É verdade que a ansiedade pode ser uma coisa boa?

Bom, é importante que saibamos identificar os limites aceitáveis desse tipo de problema. Como já afirmava Machado de Assis em sua obra O Alienista, olhando de perto ninguém é normal por inteiro”.

Essa afirmativa é bastante pertinente e demonstra o grau de dificuldade que temos para estabelecer o que é anormal ou normal dentro dessa perspectiva. Afinal, somos seres humanos, uma formação complexa e cheia de particularidades, influenciadas por diversos mecanismos biológicos e sociais.

Desse modo, os sintomas de ansiedade podem ser em alguns casos considerados como algo fisiológico. Por vezes auxiliando na detecção de ameaças, fazendo com que consigamos nos antecipar, e isso faz também com que nosso estado cognitivo seja modulado para responder melhor a certos estímulos.

 

Quando a ansiedade se torna prejudicial, como eu posso lidar com isso?

A ansiedade é um termo geral, que possui inúmeras definições e que quando se torna patológica pode estar relacionada com diferentes mecanismos.

Essa grande diversidade de atribuições é demonstrada nas classificações do Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana e na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde.

Os transtornos de ansiedade são classificados da seguinte forma:

A seguir mostrarei as principais orientações acerca do tratamento farmacológico e das medidas gerais que auxiliam você a controlar sintomas de ansiedade do dia a dia.

 

  1. Tratamento Farmacológico:

O Tratamento farmacológico é usado para controlar crise de ansiedade e também evitá-las. Podem ser utilizados medicamentos de diferentes classes, em casos extremos são utilizados aqueles remedinhos com receita específica para isso (receita azul), eles possuem tarja preta e quando não usados corretamente podem causar dependência. Por isso, procure sempre um médico e siga suas orientações, todo cuidado é pouco.

Dentro do tratamento farmacológico existem as medicações chamadas de ansiolíticos ou calmantes. São substâncias que diminuem a excitação neuronal, promovendo maior controle diante de estímulos excitatórios. Importante dizer que tais remédios devem ser prescritos e acompanhados por um especialista.

Outro tipo de medicação utilizada para tratar os transtornos de ansiedade são os antidepressivos. Quando bem utilizados e associados com boa psicoterapia, exercem grande influência positiva sobre o paciente, uma vez que eles têm a capacidade de aumentar os níveis de energia psíquica (a pessoa se sente mais forte e apta para lidar com situações difíceis) e sensação de segurança, causando melhor percepção das situações que vivencia.

Os tranquilizantes maiores ou antipsicóticos são tipos de medicações bastante utilizadas, mas só devem ser usadas em casos mais graves, onde a condição de ansiedade se encontra associada a doenças mentais mais severas, que geram intensas alterações dos pensamentos.

  1. Medidas gerais para você se livrar da ansiedade:

 

  • Quando estiver em crise ou sentir que os níveis de ansiedade estão aumentando, procure controlar sua respiração, respirando fundo, lento e de forma cadenciada;
  • Diante de algum problema ou situação de intenso estresse, procure pensar no fato em si, e não que aquele problema está em sua mente ou seu pensamento. Quando não for possível lidar com isso, tente distrair sua mente com outras coisas, procure pensar em alguma situação que te traz confiança e te deixa feliz.
  • Seja honesto consigo mesmo, aceite que existirão momentos em que não conseguirá se controlar, isso é Todos passamos por situações difíceis.
  • Apesar de que seja importante pensar em como resolver determinadas situações, mais importante que isso é ter ação, focar nas opções que temos para resolvê-las.
  • Situações estressantes sempre irão existir, aceite que é preciso conviver com a insegurança, quando ela surgir não tenha pressa, quanto mais você fugir, mais isso vai te atormentar.
  • Não se deixe ser controlado por sua mente, quando os pensamentos negativos e intensos surgirem, lute, brigue com eles. Você é capaz de sair dessa situação, procure soluções conforme sua realidade.

 

Saber como lidar com a ansiedade do dia a dia pode ser algo bastante desafiador. Mas assim como aumentaram os motivos para que possamos nos sentir estressados, também aumentaram os arsenais que podemos usar para controlar as crises de ansiedade.

Mente acelerada é mente desequilibrada. Devemos sempre procurar controlar as ansiedades do dia a dia, mas lembre-se, quando isso começar a afetar sua vida negativamente, não hesite! Procure ajuda médica, somente um profissional médico capacitado poderá indicar o tratamento adequado e multiprofissional para ajudar você a ter uma vida mais tranquila, favorecendo uma boa qualidade de vida para você a as pessoas que vivem ao seu redor.

 

Referências Bibliográficas

RAMOS, Renato Teodoro. Transtornos de ansiedade. RBM rev. bras. med, v. 66, n. 11, 2009.

SERSON, Breno. TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES: Conhecer e tratar. MG Editores, 2016.

CASTILLO, Ana Regina GL et al. Transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 22, p. 20-23, 2000.

VIANNA, Renata Ribeiro Alves Barboza; CAMPOS, Angela Alfano; LANDEIRA-FERNANDEZ, Jesus. Transtornos de ansiedade na infância e adolescência: uma revisão. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, v. 5, n. 1, p. 46-61, 2009.

DI BERNARDI, Luciana Raupp. O DEVIR DO ANSIOSO: PARE, PEÇA AJUDA. VOCÊ NÃO PODE DAR CONTA DE TUDO.

Autor: Caio Anderson