Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)

fobia social

Visão Geral

O transtorno de ansiedade social, também chamado de fobia social, é caracterizado pelo medo excessivo de constrangimento, humilhação ou rejeição quando exposto a interações sociais. Consequentemente, as pessoas têm medo de serem julgadas negativamente em diferentes situações que envolvem outras pessoas. 

Em muitas dessas situações ocorre a evitação. Isso quer dizer que a pessoa evita frequentar muitos locais que podem provocar essa sensação ruim de medo e ansiedade. Por exemplo, muitos deixam de frequentar ambientes públicos, deixam de encontrar com colegas de trabalho ou de faculdade, deixam de se relacionar socialmente ou romanticamente em virtude do medo do constrangimento. 

Como resultado, muitas pessoas apresentam um prejuízo importante em diversas áreas da vida: pessoal, familiar, profissional ou acadêmica. 

Porém, não podemos confundir aquele friozinho na barriga que alguns têm diante de apresentações de trabalho ou entrevistas de emprego, com o diagnóstico de transtorno de ansiedade social. São situações que impactam a pessoa de forma e intensidade diferentes.

Neste último a intensidade dos sintomas é muito forte, e muitas vezes repercute tão negativamente na pessoa que o tem, que a pessoa não consegue apresentar o trabalho, ou simplesmente evita ir ao local da apresentação ou da entrevista, por exemplo. 

Timidez é igual a Fobia Social?

Apesar de comum, existe outra confusão que se faz: muitos confundem a timidez com a fobia social. A timidez pode ser algo mais passageiro e bem menos intenso que o transtorno.

Infelizmente, algumas pessoas confundem alguns aspectos da personalidade com a fobia social, e acabam não reconhecendo que poderia ter esse tipo de transtorno. É importante entender a condição de saúde para buscar um tratamento adequado.

A timidez não é a mesmo que fobia social, e muitas vezes essa falta de conhecimento pode prejudicar toda a vida de uma pessoa, exatamente por não buscar um tratamento.

CAUSAS:

Muitos indivíduos começam a apresentar os sintomas da fobia social na infância, tornando-se mais perceptível durante a adolescência. A ansiedade social é um transtorno crônico, que geralmente dura 6 meses ou mais.

Existem muitos estudos investigando possíveis causas da ansiedade social. Já foi observado que os fatores ambientais têm um importante papel nesse tipo de transtorno, aliado ao fator genético. 

Em algumas situações foi observado que os pais excessivamente controladores e intrusivos podem aumentar a chance do temperamento da criança ser mais inibido, o que aumenta a chance de fobia social.

Mas não é apenas isso, sabe-se que condições estressantes da vida e eventos muito impactantes também podem associar à predisposição genética para favorecer o aparecimento dos sintomas da fobia social. Por exemplo, uma criança que sofreu bullying durante a infância, pode vir à desenvolver a doença por querer evitar situações semelhantes as já vividas.

Sintomas da fobia social:

A definição de fobia social é baseado em critérios diagnósticos com base em uma boa entrevista psiquiátrica. Esses critérios estão inclusos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – V) da Associação Americana de Psiquiatria. 

Abaixo alguns critérios da fobia social definidos pelo DSM-V

  • Medo ou ansiedade pronunciados em torno de uma ou várias situações sociais em que uma pessoa está possivelmente exposta ao possível escrutínio de outras pessoas.
  • A pessoa teme agir de certa forma que pode ser avaliada negativamente.
  • A situação social, em grande parte, provoca ansiedade ou medo.
  • As situações são suportadas com ansiedade ou medo ou totalmente evitadas.
  • Esse medo ou ansiedade é desproporcional à ameaça realmente representada pela situação.
  • A evitação, o medo ou a ansiedade duram tipicamente pelo menos 6 meses e causa prejuízo ou sofrimento significativo em uma área importante do funcionamento.
  • O medo não deve ser atribuído aos efeitos de uma substância ou condição médica ou aos sintomas de um transtorno mental diferente.
  • A ansiedade, a evitação ou o medo são excessivos ou não relacionados se uma condição médica separada estiver presente.
  • OBS: Existe um especificador de performance apenas se o medo se restringir exclusivamente a se apresentar ou falar em público.

Em algumas situações, é comum observar que as pessoas com transtorno de ansiedade social podem falar baixinho, ou responder de forma superficial à algumas perguntas. 

Em outras situações percebemos que o contato visual costuma ser menor que o normal, ou seja, quem apresenta o transtorno pode ter uma dificuldade maior em olhos nos olhos diretamente. 

Com isso, uma simples conversa ou até um encontro com uma pessoa que não seja da sua família ou do seu meio, se tornam momentos de grande temor. Além da interação, a pessoa também possui medo de fazer, em público, coisas que são consideradas comuns, como beber ou comer.

Nas crianças, por exemplo, a doença pode fazer com que elas se neguem a ir à escola e que tenham medo de interagir com os colegas de turma. Em adultos, situações como entrevistas de emprego ou reuniões de trabalho podem ser enxergadas com grande temor. Em outras pessoas, a fobia pode ser manifestada em momentos em que ela precisa falar com alguém desconhecido ou do sexo oposto.

Muitas pessoas com a fobia social também apresentam fortes sintomas físicos, como batimento cardíaco acelerado, enjoos e sudorese, e podem ter crises mais fortes ao se depararem com uma situação temida. 

Por mais que, quem sofra desse mal, enxergue algumas situações como momentos de risco, muitas vezes a pessoa tem um medo que é desproporcional a verdadeira ameaça. Ou seja, por mais que amigos e familiares tentem “reduzir” o problema e confortar o indivíduo, ele não consegue lidar, de maneira saudável, com aquela circunstância. Isso pode ocasionar sérios problemas em sua vida profissional e pessoal, fazendo com que ele seja ainda mais ansioso e temoroso.

Tratamento

É importante entender sobre o transtorno para que possa reconhecer e procurar o devido tratamento. A psicoterapia e o tratamento medicamentoso podem ajudar a melhorar vários sintomas dessa condição. 

O tratamento pode ser psicoterápico ou medicamentoso. Uma das abordagens mais estudadas e observadas com o melhor resultado no tratamento psicológico para a fobia social é a terapia cognitiva comportamental (TCC), ao ser comparada com outras terapias psicológicas.

Em relação aos medicamentos, a classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina e também os inibidores de serotonina e noradrenalina apresentam um bom resultado comparados com o placebo. Em alguns momentos específicos e com indicação médica, o beta bloqueador propanolol ou os benzodiazepínicos também podem ser utilizados. 

É importante esclarecer que os medicamentos devem ser prescritos pelo médico e seguir corretamente a orientação do seu médico, evitando interrupções ou acréscimos desnecessárias.

Se não for tratado, o transtorno de ansiedade social pode resultar em menor escolaridade, pior desempenho no trabalho, interação social prejudicada, relacionamentos de baixa qualidade e diminuição da qualidade de vida. 

É comum a associação deste transtorno com outras condições psiquiátricas, devido ao risco maior de depressão e transtorno por abuso de álcool. Esse é mais um motivo da importância de procurar ajuda para se tratar.

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