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A Angústia Silenciosa da Psicóloga

Last Updated on 3 de junho de 2024 by Diego Tinoco

A vida, esse espetáculo contínuo e imprevisível, nos brinda com personagens e enredos que desafiam nossa compreensão. E assim, numa cidade grande e cheia de histórias, vivia uma psicóloga que dedicara sua vida a iluminar as sombras de outros corações. Reconhecida por sua empatia e competência, ela ajudara tantos pacientes que, no seu consultório, as paredes pareciam sussurrar agradecimentos silenciosos.

Era uma profissional admirável. Os pacientes saíam de suas sessões com um brilho renovado no olhar, como se tivessem reencontrado o caminho em meio ao caos. Ela era a rocha firme onde tantos naufragados encontravam porto seguro. Seus colegas a respeitavam, os pacientes a reverenciavam, e a comunidade a tinha como um farol de esperança.

Entretanto, por trás daquele sorriso acolhedor e do olhar compreensivo, escondia-se uma verdade amarga e solitária. A psicóloga, mestre em desvendar os segredos alheios, não conseguia aliviar o peso que apertava seu próprio peito. Angústia, essa companheira invisível, infiltrava-se em seus pensamentos como uma névoa densa e persistente.

Ela procurou ajuda. Sentou-se na cadeira de paciente diante de colegas igualmente competentes e generosos. Ouviu conselhos sábios, experimentou técnicas inovadoras, mas a angústia permanecia. Não era uma questão de falha dos profissionais, mas de uma dor que, por sua própria natureza, recusava-se a ser domada. A psicóloga sentia-se como uma navegadora experiente, perdida em um mar de tormentas internas, incapaz de encontrar a bússola que guiava os outros.

Não era a intensidade da angústia que a tornava diferente. Não era uma questão de ser pior ou melhor que a dos seus pacientes. Era uma dor única, intraduzível, um eco profundo que ressoava em sua alma. Sentia-se, por vezes, uma estranha em seu próprio mundo, incapaz de aplicar a sabedoria que distribuía com tanta generosidade.

E assim, entre uma sessão e outra, a psicóloga seguia sua jornada, buscando incessantemente a chave que pudesse libertá-la daquela prisão emocional. Sabia, no fundo, que a resposta talvez não estivesse em técnicas ou palavras, mas em um encontro mais profundo consigo mesma, uma aceitação do mistério e da imperfeição humana.

Na grandiosa tragicomédia da vida, ela continuava seu papel, ajudando a tantos enquanto buscava, no silêncio de suas noites insones, o alívio para sua própria angústia. E assim, sua história se desdobrava, um testemunho da complexidade e beleza da condição humana, onde mesmo os mais sábios e generosos podem encontrar-se perdidos, buscando a paz que tanto oferecem aos outros.

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Diego Tinoco

Diego Tinoco é cidadão brasileiro. Nasceu em Curvelo-MG e atualmente reside em Belo Horizonte. É médico, psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da UFMG, pós graduado em saúde da família pela UFMG. Nesse site você encontra opiniões do cidadão sobre a vida e o mundo.

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