Dia Internacional das Mulheres: o que comemoramos?

O dia internacional da mulher se aproxima e não poderíamos deixar essa data passar despercebida. Aliás, o fato de haver uma data comemorativa destinada às mulheres, por ano, não exclui a necessidade de destacar as qualidades das mulheres sempre que possível.

Geralmente, o destaque do papel feminino na sociedade está nas relações de cuidado, tais como a maternidade e o ensino. Porém, as mulheres estão conquistando espaço também na ciência, na tecnologia e no ambiente corporativo.

Ambientes historicamente dominados por homens e são ocupados pela liderança feminina pouco a pouco. A luta parece lenta e muitas vezes é, realmente. No entanto, houve uma longa caminhada para que as mulheres estivessem onde estão hoje em dia.

Como surgiu o Dia Internacional das Mulheres?

A história da data não é muito feliz. A princípio, a data remete a uma tragédia ocorrida numa fábrica têxtil, em Nova York. Nesta ocasião, 125 mulheres e 21 homens morreram queimados num terrível incêndio. Assim, as péssimas condições de trabalho dos operários passaram a receber atenção e a ser alvo de protestos.

Nos anos seguintes, as causas das operárias ganharam relevância. Por fim, no dia 8 de março de 1917, uma grande manifestação encampada pelas mulheres tornou a data histórica.

Desde então, o dia 8 de março é atrelado à luta das mulheres e suas conquistas neste mundo predominantemente machista.

Sexo frágil? Nem pensar!

De fato, não há mais espaço para pensar nas mulheres como o sexo frágil. A força inata das mulheres é comparada aos lobos na obra “Mulheres que correm com os lobos”, onde a autora Clarissa Pinkola Estés discute o papel da sociedade no afastamento das mulheres de seu arquétipo selvagem.

A obra traz contos de fadas e lendas folclóricas de diversas culturas que abordam as diferentes nuances da “mulher selvagem”. Deste modo, é possível perceber, na reprodução das histórias contadas para crianças, a força e o poder que as mulheres têm para conquistar aquilo que desejam.

O retorno aos instintos e o poder da intuição é defendido por esses contos como ferramentas capazes de conectar a mulher ao seu profundo feminino, muitas vezes podado pela construção do papel social da mulher.

As conquistas das mulheres

Cada vez mais, as mulheres têm conquistado seu espaço e alcançado posições de chefia. Finalmente, o protagonismo da mulher tem aparecido em diversos campos sociais, desde a liderança familiar como também no campo do conhecimento.

A luta das mulheres por independência e liberdade começou ainda no século XIX. Mas foram os anos 60 que marcaram a atuação da mulher brasileira na política, no processo de industrialização e urbanização pelo qual o país estava passando.

O uso dos contraceptivos foi uma conquista das mulheres por garantir o direito à decisão sobre seu próprio corpo. Além disso, a intelectualização da mulher acabou por capacitar os movimentos feministas da época para reivindicações pelos seus direitos nas ruas. 

Obras como O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e Mística Feminina de Betty Friedan faziam parte do roll de livros que empoderavam a luta das mulheres contra a objetificação e a violência sexista.

Nos anos 70, a conquista do direito ao voto rompeu mais um padrão da sociedade patriarcal, trazendo o poder de decidir sobre o futuro do país para as mulheres, como cidadãs plenas.

A luta das mulheres continua

Nos dias de hoje, o feminismo tem pautas urgentes, como o combate à violência contra a mulher, por exemplo.

Por causa de um caso de violência doméstica a uma biofarmacêutica por nome Maria da Penha, a Lei Maria da Penha surgiu como mecanismo para coibir agressores e mobilizar a sociedade para esta causa.

Já em 2015, Lei do Feminicídio foi sancionada. Ela reconhece ocorrências motivadas por questões de gênero e penaliza o criminoso em 12 até 30 anos de prisão. 

No entanto, os dados ainda são alarmantes no Brasil. A taxa de feminicídio é a quinta maior em todo o mundo e 4,8 mulheres são mortas a cada 100 mil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Portanto, o Dia Internacional das Mulheres deve servir como um uma reverência àquelas que um dia se arriscaram para possibilitar mudanças efetivas para as gerações futuras.

Em outras palavras, que elas sirvam de inspiração para que as mulheres continuem buscando o protagonismo de suas histórias e na história do mundo.

Ser mulher não é adotar um papel de fragilidade, docilidade e submissão. Não é ser mulher, irmã, filha ou mãe de alguém. É ter seu lugar como indivíduo e exercer suas vontades e desejos com liberdade.

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