Nutrição e saúde mental, qual é a relação?

Os transtornos de saúde mental representam um problema de saúde pública.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), uma entre quatro pessoas em todo mundo está afetada por algum distúrbio de mental e a relação entre a nutrição e a saúde mental tem sido assunto frequente na comunidade científica.
Algumas razões são fundamentais para que esses transtornos ocorram e dentre elas, aponta-se a nutrição como um dos principais fatores.
Isso acontece porque a relação entre nutrição e saúde mental está diretamente ligada com o estilo de vida das pessoas e as escolhas que elas fazem no seu dia a dia.
Estudos da International Society for Nutritional Psychiatry Research demonstram que a dieta e a nutrição são determinantes centrais da saúde mental.
A dieta ocidental, conhecida por fast food e comidas congeladas com aditivos químicos, tem sido reconhecida como fonte de inflamação, ou seja, apresenta maior probabilidade de desenvolver transtornos mentais.

Como a alimentação pode afetar a saúde mental?

Alguns nutrientes possuem propriedades que são consideradas pró-inflamatórias para o organismo e, por isso, podem representar danos para a saúde mental que não se limitam apenas à depressão.
Revisões sistemáticas sobre nutrição e saúde mental investigam o efeito da má alimentação em outros tipos de sintoma ou distúrbios de saúde mental, tais como ansiedade, angústia e esquizofrenia.
Os alimentos mais prejudiciais são aqueles ricos em gordura como alguns laticínios, carne vermelha e fritura.
Os alimentos ultraprocessados também contribuem para o surgimento ou agravamento no quadro de pessoas diagnosticadas com algum transtorno. Logo, uma dieta baseada em alimentos ricos em conservantes, farinha branca, açúcar e refinados também é caracterizada como uma alimentação inflamatória.
Médicos e nutricionistas recomendam que pessoas com transtornos de humor evitem o excesso de doces e de farinha branca, bem como pessoas ansiosas devem evitar o consumo excessivo de café.
O café após as 4h da tarde pode afetar a qualidade do sono, o que impacta diretamente na saúde mental.

Como melhorar a alimentação?

Os padrões alimentares mais saudáveis com características anti-inflamatórias estão associadas a um menor risco de transtornos mentais.
A dieta mediterrânea, por exemplo, é caracterizada por alta ingestão de vegetais, frutas, peixes e óleos saudáveis.
Outros alimentos recomendados para uma boa nutrição e saúde mental são os cereais integrais, nozes, sementes e alimentos ricos em ácidos graxos e ômega-3.
Todos esses alimentos consumidos de maneira balanceada oferecem os nutrientes necessários para influenciar a estrutura e a função cerebral, afetando o neurodesenvolvimento e a função neurotrófica.
As abordagens terapêuticas e psiquiátricas geralmente envolvem alterações no estilo de vida daquela pessoa que tenha a sua saúde mental comprometida. Essas alterações geralmente estão ligadas aos hábitos alimentares e à prática de exercícios físicos.

O que é um transtorno alimentar?

Os transtornos alimentares também estão ligados à saúde mental e são caracterizados por hábitos alimentares irregulares, sofrimento grave ou preocupação excessiva com o peso.
A ingestão inadequada ou excessiva de alimentos são características de transtorno alimentar e, frequentemente, interferem no bem estar e a qualidade de vida das pessoas.
Pessoas com sintomas de transtorno alimentar precisam de tratamento com uma atenção especial para que o quadro não evolua ou se associe a outras condições, como transtornos de ansiedade, abuso de substâncias tóxicas ou depressão.
Os transtornos alimentares podem se desenvolver em qualquer fase da vida, mas aparecem com mais frequência em adolescentes e jovens adultos. Alguns dos distúrbios mais comuns são:

Anorexia

É a condição mental que apresenta maior índice de mortalidade dentre os distúrbios alimentares, pois provoca perda de peso muito rápida. Por isso, é fundamental um acompanhamento o quanto antes.
A pessoa que apresenta anorexia tem como sintomas a restrição do consumo de alimentos considerados calóricos de maneira radical. Além disso, sofrem com distorções da própria imagem e excessiva preocupação com o ganho de peso.
Dados do setor de Psiquiatria de Transtorno Alimentar da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) apontam que 1% da população feminina mundial sofre de anorexia, enquanto 5% sofre com a bulimia.

Bulimia

Também é um distúrbio muito conhecido e caracterizado pelo consumo exagerado de um determinado alimento, seguido de um sentimento de culpa. Por isso, a pessoa busca de qualquer maneira para eliminar do seu corpo as calorias ingeridas.
Geralmente, pacientes de bulimia costumam induzir o vômito ou fazer uso de medicamentos laxantes e diuréticos, além de exercícios extenuantes.

Compulsão alimentar

A compulsão alimentar é um dos transtornos alimentares mais comuns, depois da anorexia e da bulimia.
Pessoas nessa situação costumam ingerir exageradamente os alimentos para aliviar alguma dor ou frustração. Os problemas relacionados à obesidade grave podem estar ligados à compulsão alimentar, que também tem tratamento.
É importante ter precaução com o autodiagnóstico que muitas pessoas tendem a fazer a partir de pesquisas pela Internet. Portanto, exagerar eventualmente numa pizzaria não significa um distúrbio alimentar.
Especialistas de medicina ou nutrição devem realizar uma avaliação criteriosa de cada caso para aplicar o tratamento dentro dos protocolos recomendados e com o acompanhamento apropriado.
Ao perceber que a sua relação com o alimento não vai bem, não hesite em procurar um médico.
A relação entre a nutrição e a saúde mental vai além do alimento que escolhemos, mas também da maneira como lidamos com o ato de comer.

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