O que são drogas ilícitas?

O que são drogas ilícitas?

Hoje, a intenção principal é falar sobre as drogas ilícitas e os danos que elas causam, algumas num curto espaço de tempo, outras num espaço de tempo maior, mesmo assim, não existe nenhuma que não traga prejuízo a tua saúde e em todas as áreas da vida.

Então, sabendo da importância dessa temática e dos prejuízos que os diferentes tipos de drogas podem nos causar, eu faço a seguinte pergunta, “O que são drogas ilícitas? Você sabe realmente os malefícios delas elas?

E é sobre isso que iremos discutir ao longo desse texto, mas antes de começar, com o intuito de fazer uma abordagem mais ampla, vou falar um pouco sobre as drogas lícitas, que apesar de não ser proibidas, causam bastante impacto na saúde.

As drogas lícitas não são proibidas, e tampouco controladas pela sociedade em que vivemos. Algumas encontramos a qualquer momento do dia a dia: no bar, na rua, no lazer. Basta olhar para o lado e já encontramos alguém fumando um cigarro, ou bebendo um copo de cerveja ou de pinga na esquina. Outras já são vendidas apenas nas farmácias, pois os medicamentos das prateleiras das drogarias podemos chamar de drogas também, mas essas são lícitas e muitas são realmente controladas com receitas médicas devido ao seu potencial de dependência e efeitos colaterais.

As drogas ilícitas

Em alguns países o uso das drogas ilícitas é considerado normal, fazendo, inclusive parte da cultura local. No entanto, ainda existem regras para esses países que não a proíbem, dando aos seus usuários o direito de fazer uso recreativo, sendo proibida a prática de venda, ou seja, tráfico.

Categorizando essas drogas, podemos dividi-las para melhor didática. No entanto, aqui, a pretensão é esclarecer quais são as substâncias declaradas como ilícitas, ou seja, proibidas.

As mais conhecidas drogas ilícitas e seus efeitos

Vamos listar as drogas mais conhecidas pelos seus nomes e que são mais comumente consumidas:

  • Maconha – Depressor do sistema nervoso central (SNC) é estudada em larga escala para tratamento de algumas doenças em seres humanos – sua legalização ainda promove muita discussão e polêmica. Geralmente quem a consome indiscriminadamente, estimula o apetite, altera de forma negativa vários órgãos do corpo, gerando alterações de comportamento.
    Saliento que vários estudos já comprovaram que o cannabis pode aumentar a chance de desencadear a esquizofrenia em uma pessoa de 5 a 10 vezes. Muitas pessoas fazem uso da maconha para relaxar, porém o que se observa na prática é de fato uma melhora apenas momentânea na tranquilidade e relaxamento da pessoa, no entanto no outro dia a pessoa costuma ficar mais ansiosa, e em virtude exatamente dessa ansiedade, tende a fumar ainda mais a maconha. Em algumas pessoas a maconha não traz tampouco essa ansiedade momentânea, causando uma ansiedade quando se faz uso.

 

  • Cocaína – Estimulante do Sistema nervoso central e uma das drogas que mais sustenta o tráfico. Além de proporcionar a sensação de “estar ligado”, a droga é utilizada de três formas: inalada, diluída em água podendo ser injetada na veia e ainda, quando tratada com reagentes alcalinos, pode ser fumada, como o crack. 

A cocaína é uma droga que age rapidamente no SNC impedindo a recaptação de vários neurotransmissores produzindo reações psicológicas de sensação de poder, prazer e excitação sexual. Utilizada de forma frequente, desencadeia estados de psicose paranoide, casos graves de depressão e que podem promover o suicídio.

Entre outros prejuízos, destacam-se ainda a falta de apetite, aumento da pressão arterial, evoluindo para um quadro ainda mais grave, o AVC e a morte. A pessoa ainda pode ter doença renal aguda, infarto do miocárdio, convulsões, doenças do intestino.

  • Crack – estimulante com efeitos muito similares aos da cocaína. A dependência se transforma em compulsão de forma rápida. Como seus efeitos são rápidos e desaparecem também rapidamente, a busca pela droga é imediata. Talvez seja a droga mais perigosa dos últimos tempos, pois tem sido facilmente falsificada levando pessoas à morte de forma rápida e repentina.

Sua fórmula é constituída por cocaína refinada, bicarbonato de sódio e diluída em água. Ao ser aquecida, a mistura se separa em partes líquidas e sólidas. A parte líquida não é utilizada, apenas a parte sólida que é transformada na pedra do crack. O crack atinge muito rapidamente quase todos os sistemas do corpo transformando-a numa verdadeira arma letal.

Entre as principais consequências notam-se a piora cognitiva, desagregação familiar, depressão, ansiedade, infarto e AVC. O consumo de crack e com o vício instalado de forma rápida, transformou grandes centros urbanos em verdadeiras cidades denominadas cracolândia onde imperam a marginalidade, o tráfico indiscriminado e a prostituição.

  • Ecstasy – Estimulante derivado da anfetamina é a droga das baladas por deixar a pessoa ligada e pronta para agitar a noite toda. Ela é capaz de provocar estados de euforia e bem-estar, levando a pessoa a uma maior receptividade ao outro, perdendo a inibição e promovendo a necessidade de maior contato físico, porém, não necessariamente ao sexo. 

Os maiores prejuízos causados pelo uso constante da droga é a elevação da pressão arterial, transpiração excessiva podendo levar ao quadro de desidratação, insônia, agitação psicomotora, alucinações, convulsões, podendo levar a morte.

  • Inalantes – depressor, que podem ser obtidos em várias formas: cola de sapateiro, lança-perfume, solventes. Inicialmente a pessoa é tomada por uma súbita euforia seguindo após alguns momentos para um rebaixamento das inibições e excitação. Logo em seguida, aparecem os sintomas mais desagradáveis, como visão turva, perda da coordenação motora, perda da noção de espaço-tempo, perda da percepção das cores, enjoo, inquietação e apagões. O período de abstinência é doloroso e causa muito sofrimento.
  • Heroína – estimulante, assim como o ópio e a morfina é criada através da resina da papoula. É mais utilizado na forma injetável, o que torna a substância ainda mais perigosa devido ao compartilhamento da seringa entre os usuários. Os primeiros sintomas da dependência são a euforia, sensação de calor e boca seca. Após esse quadro sintomático, o usuário pode passar várias horas dormindo. Oxigenação, frequência cardíaca caem e depois que os efeitos passam, o usuário tende a precisar de mais droga e em maior quantidade para continuar apresentando os sintomas “bons”.

Seus piores efeitos são em curto prazo e devastadores: euforia, respiração lenta, funções mentais comprometidas, náuseas e vômitos, sedação, sonolência, hipotermia até chegar ao coma e morte resultante de overdose.

  • Chá de cogumelo do gênero “psilocybe” ou cogumelo mágico utilizado como forma recreativa nos Estados Unidos e alguns países da Europa. Sua ação é igualada a do LSD, o mais preocupante é que a maioria dos usuários está na faixa etária entre 15 e 16 anos.
  • Anfetaminas – estimulante do SNC está muito relacionada às substâncias de “doping” entre os atletas. Também conhecida como inibidor do apetite, foi muito utilizada por alguns anos por muitas mulheres para a perda de peso, sendo retirada do mercado devido aos efeitos nocivos ao organismo, inclusive aumentam as crises de ataque do pânico, episódios paranoicos e psicose tóxica.

Opções de tratamento

O tratamento para dependência de drogas ilícitas envolve o tratamento de internação ou ambulatorial. Muitas vezes pode ser difícil para alguém viciado em drogas parar de usá-las e ficar sóbrio sem ajuda profissional.

O processo de retirada pode ser perigoso e prejudicial para a saúde do usuário. Muitas pessoas precisam estar sob acompanhamento profissional para as primeiras semanas de sobriedade para que elas possam ser desintoxicadas com segurança. Uma combinação das seguintes opções de tratamento pode ser necessária:

 

  • Programas de reabilitação

 

Um programa de internação é uma opção para o começo para uma pessoa com um vício em drogas ilícitas. Médicos, enfermeiras e terapeutas monitoram a pessoa para se certificar de que estão seguras.

Antes de internar um paciente em clínica de recuperação acho fundamental o desejo do paciente de se internar. Além disso, as clínicas precisam estar regulamentadas. Verifique se a clinica possui especialistas formados e com capacitação: psiquiatra, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistente social. É fundamental um trabalho multidisciplinar e contato próximo com a família, caso contrário as chances de recaídas aumentam. É fundamental a família estar próxima e auxiliando nesse processo, avaliando os cuidados com o paciente.

No início, a pessoa pode ter vários sintomas físicos negativos, enquanto seu corpo se ajusta com a ausência da droga. Após a retirada física, eles podem se concentrar em ficar limpo em um ambiente seguro.

 

  • Programa de reabilitação ambulatorial

Em um programa de pacientes ambulatoriais as pessoas são acompanhadas por especialistas em consultório. Podem ser psicólogos e psiquiatras. Eles continuam vivendo em casa e participando de atividades diárias, como o trabalho.

  1. Psicoterapia

Uma pessoa com dependência pode se beneficiar da terapia individual, porque a dependência de drogas muitas vezes envolve questões emocionais que precisam ser tratadas, a fim de alterar padrões autodestrutivos.

Além disso, um terapeuta pode ajudar alguém com dependência de drogas a lidar com as emoções envolvidas na recuperação. Uma pessoa com dependência pode ter que lidar com depressão, culpa e vergonha.

  • Medicamentoso

Em alguns casos, a medicação é necessária para ajudar a superar os impulsos. 

Às vezes as pessoas se automedicam. Eles se voltam para as drogas para lidar com problemas de saúde mental. Neste caso, os antidepressivos ou remédios para lidar melhor com a ansiedade podem ajudar no processo de recuperação

As drogas ilícitas podem muitas vezes alterar substâncias químicas cerebrais. Isso pode complicar ou mostrar condições de saúde mental preexistentes. Uma vez que o abuso de substâncias regulares parou, estas condições de saúde mental muitas vezes podem ser tratadas com a medicação correta.

Como é o tratamento para a dependência química?

Embora o tratamento e a reabilitação da dependência química sejam dolorosos e complicados, sempre existe uma luz no fim do túnel. Apesar do início complicado com os episódios da abstinência, as clínicas de reabilitação pode se tornar alternativas principalmente para aqueles pacientes que coloca sua vida em risco e a vida de outras pessoas. 

A procura por ajuda, além de ser sugerida por familiares e amigos deve ser acompanhada de perto para oferecer suporte, carinho e, principalmente, a demonstração de que o que acomete os portadores de dependência não é apenas um problema dele ou rotulá-lo de viciado, mas sim, um conjunto de acontecimentos que provoca a busca da diminuição da dor através de um método ilusório (drogas).

A aceitação de que essa pessoa está doente e precisa de tratamento é a primeira medida para que ele se fortaleça e aceite passar por ele sentindo que não está sozinho. Os familiares devem se empenhar nessa ajuda de reconstrução do ser. Mostrar-se generoso, dando afeto, apoio, compreensão, companheirismo são passos importantes que devem ser seguidos por todos que vivem esse sofrimento junto com o dependente.

O afastamento dos locais em que existem os facilitadores é uma das primeiras medidas a serem tomadas. Mostrar interesse pelas atividades do doente e pela sua evolução também pode ser um forte aliado no combate à dependência.

O afeto, o amor, um trabalho que dê satisfação à pessoa também devolve a ela a autoestima, fator decisivo na escolha por um estilo de vida mais saudável e pleno.

Além das reuniões das terapias grupais frequentadas pelos pacientes, existem os grupos de apoio tanto para eles quanto para as famílias. Portanto, não deixe de ajudar aquele que você ama.

Espero que com esse texto suas dúvidas sobre as drogas ilícitas tenham sido reduzidas.

Até mais!

Bibliografia

NEVES, Elcione Alves Sorna; SEGATTO, Maria Luiza. Drogas lícitas e ilícitas: uma temática contemporânea. Revista da Católica, v. 2, n. 4, 2010.

ZANELATTO, Neide A., LARANJEIRA, Ronaldo (Org.). Tratamento da dependência química e as terapias cognitivo-comportamentais: um guia para os terapeutas. Porto Alegre: Artmed, 2013.

CAMARGO, Marcia A. Fundamentos de toxicologia. 4.ed. São Paulo: Atheneu, 2012.

HEIM, Joanna; ANDRADE, Arthur Guerra de. Effects of alcohol and illegal drugs on at-risk adolescents’ behavior: a review of the scientific publications between 1997 and 2007. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), v. 35, p. 61-64, 2008.