TDAH EM ADULTOS EXISTE?

TDAH em adultos

O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) existe em adultos?

O TDAH é um transtorno que acomete crianças e adultos. Há alguns anos acreditava-se que boa parte dos sintomas que acometiam as crianças iriam melhorar no decorrer da vida adulta, porém não é isso que acontece com alguns pacientes. 

Muitos pesquisadores e psiquiatras clínicos perceberam que uma parte daquelas crianças que recebiam o diagnóstico na infância de TDAH, ainda mantinha os sintomas na vida adulta. 

Eles também perceberam que muitos adultos não diagnosticados na infância poderiam apresentavam os sintomas na vida adulta. 

Mas isso não quer dizer que os sintomas iniciaram apenas na vida adulta, apesar de alguns já começarem a levantarem essa hipótese. 

Muitos adultos não foram diagnosticados na infância por não terem conhecimento, por ausência de recursos ou muitas vezes por preconceito da época quanto ao transtorno. 

Ainda hoje muitos não acreditam no transtorno, mas o avanço da medicina e das possibilidades terapêuticas contribuem para a melhoria da desconfiança no diagnóstico e no próprio transtorno.

Porem não é fácil um diagnóstico de TDAH em adulto, e por isso uma boa entrevista psiquiátrica e história clínica são fundamentais para entender melhor o quadro do paciente, porque muitos transtornos podem confundir com alguns sintomas do TDAH em adulto. 

Não consigo concentrar, tenho TDAH?

O diagnóstico de TDAH não é tão simples como uma “simples” falta da concentração nos estudos ou trabalho. Não podemos dizer que apenas a falta de atenção significa que determinada pessoa tenha o transtorno. 

Na verdade, o diagnóstico é complexo e exige uma história clínica detalhada, com uma série de detalhes da vida do paciente desde a infância até a vida adulta. 

Existem muitas pessoas que apresentam falta de concentração, mas não tem TDAH. A falta de foco ou de atenção podem ocorrer por várias causas, desde algo mais passageiro e transitório, como uma noite mal dormida ou estresse dentro de casa, por exemplo. Ou algo um pouco mais persistente, por exemplo sintomas depressivos ou ansiosos de uma pessoas. 

Muitas pessoas não sabem, mas o transtorno depressivo ou o transtorno de ansiedade generalizada também podem apresentar falta de concentração.

Mesmo não apresentando outras condições clínicas ou situações adversas, isso não significa que tenha déficit de atenção. O fato de não conseguir concentrar muito bem não pode significar que tenha tdah, visto a presença de outros sintomas no diagnóstico de TDAH. 

Além disso, é fundamental avaliar a intensidade e o quão prejudicial essa “falta de concentração” afeta as diversas atividades do seu dia a dia.

Tenho hiperfoco, posso ter TDAH?

Apesar da nomenclatura do transtorno informar sobre o “déficit de atenção”, em algumas situações os pacientes com TDAH podem sim apresentar uma alta capacidade em focar e se concentrar em determinadas atividades. 

Normalmente essas atividades são situações que provocam intenso interesse em quem tem TDAH, ou são situações em que a pessoa já procrastinou demais em uma determinada situação e não tem como mais esperar ou fugir, e assim só resta a opção de fazer. E é nesse momento que a pessoa com TDAH consegue fazer as atividades, na maioria das vezes “deixando para a última hora”.

Ou seja, nem só de déficit de atenção vivem os pacientes com TDAH, pois também apresentam momentos de maior concentração e atenção, a depender da situação. 

O que é o TDAH?

O TDAH é um transtorno altamente hereditário, ou seja, é comum passar de pais para filhos, apesar de não ser uma regra. 

Sempre gosto de esclarecer que o TDAH não é um problema de inteligência, mas de alterações psíquicas em decorrência de disfunções cerebrais mínimas que podem prejudicar a qualidade de vida da pessoa. 

Os sintomas do TDAH não prejudicam apenas os estudos, como muitos imaginam. Pelo contrário, as pessoas apresentam prejuízos importantes tanto na vida pessoal, quanto na vida acadêmica ou profissional.  

Os sintomas são vários e complexos. Para melhor entendimento e didática, divide-se os grupos de sintomas do TDAH mais comuns em três categorias: 

  • Atenção
  • Hiperatividade
  • Impulsividade

Em relação a atenção, gosto muito de informar que o problema maior não é o déficit da atenção em si, é a dificuldade em gerir a atenção, porque muitas vezes não se consegue priorizar uma determinada atividade. 

Para quem tem TDAH, “tudo é prioridade”, e há uma dificuldade em canalizar e manter determinada atividade.

Mas sabemos bem que quem quer tudo ao mesmo tempo, pouco se consegue na MAIORIA DAS SITUAÇÕES. 

Isso é muito comum nos pacientes com TDAH. Em virtude disso, muitas vezes há intensa frustração e desânimo, porque a pessoa não conseguiu terminar o que planejava. 

Além disso, ocorre o lado estigmatizante de muitas pessoas que não sabem que têm o transtorno. Algumas são chamadas de “preguiçosos” ou “enroladas”, pois não conseguem entregar aquilo que tinha proposto. 

Em muitas destas situações não é por “falha de caráter ou compromisso”, mas sim pelo transtorno.

Não quero aqui reduzir a culpa de todos aqueles que não conseguem terminar o que propôs, mas sim de demonstrar que por trás de algumas situações corriqueiras do dia a dia, pode ter alguns transtornos que dificultam uma determinada pessoa de conseguir um objetivo específico. 

Muitas vezes, esse transtorno é invisível não só para quem está ao lado, mas também pela própria pessoa. Porque muitos adultos nem sabem que apresentam o transtorno. 

Em relação a hiperatividade nos adultos, muitos podem apresentam uma certa inquietação motora, mechendo as pernas ou os braços, por exemplo. É comum também não conseguirem esperar em filas, ou se conseguem, normalmente é um grande sacrifício interno, gerando muita inquietação. 

Nos adultos a hiperatividade não é tão prevalente quanto nas crianças, ao ser comparado com a atenção e a impulsividade. 

A impulsividade e a regulação da emoção está muito relacionado aos adultos com TDAH. 

Devido a impulsividade, muitos acabam não terminando um determinado objetivo ou tarefa, pois se direciona a outra atividade. Isso acontece com tanta frequência que pode gerar baixa auto estima, frustração e muitas vezes irritabilidade. 

Isso pode gerar uma série de consequências negativas para a pessoa, pois acabam que vivem muito o presente, e não conseguem planejar o futuro como desejam. 

Devido a intensa impulsividade, é comum pacientes com TDAH errar em situações semelhantes, que já aconteceram outras vezes, mas o erro aconteceu novamente. Internamente, pode ocorrer muita frustração e tristeza por isso, pois houve uma impulsividade naquele momento. 

Devido a impulsividade é comum observar mudança de emprego constantemente, mudança de parceiros, dificuldade para lidar com supervisão ou coordenação. 

Qual o tratamento?

O tratamento do TDAH deve ser realizado por um especialista com conhecimento e formação para isso.

Muitos psiquiatras fazem a avaliação, diagnóstico e tratamento deste transtorno com os medicamentos disponíveis no mercado.

No Brasil existem algumas opções medicamentosas, que melhoram boa parte dos sintomas do TDAH em adultos.

Porém, o tratamento não deve ser apenas medicamentoso. Existem terapias especializadas em TDAH e profissionais capacitadas no treinamento de pessoas com este tipo de transtorno.

É fundamental procurar um médico para melhor compreensão e entendimento dos sintomas. E a partir da avaliação do profissional, o mesmo possa orientar o tratamento.

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