Como a ansiedade pode afetar um relacionamento?

Existe relação entre ansiedade e relacionamento? Segundo a OMS, os casos de ansiedade cresceram em 25% entre jovens e mulheres, principalmente no período da pandemia, afetando diretamente os relacionamentos amorosos.

A ansiedade pode afetar os relacionamentos interpessoais em geral, mas principalmente os relacionamentos afetivos. Afinal, uma relação à dois exige equilíbrio emocional e muitas pessoas se encontram em situações que geram um quadro de instabilidade de sentimentos.

Os sintomas de ansiedade costumam ser tratados na área de saúde mental, mas muitas vezes se manifestam fisicamente, como em alterações digestivas, dores no peito, na cabeça, ausência de sono e de apetite. Além disso, as quedas de cabelo e manchas na pele podem sinalizar para um quadro de estresse ou ansiedade.

Mas afinal, como identificar se a ansiedade está afetando o relacionamento? Quando a ansiedade pode de fato destruir uma relação e quais são as estratégias que podemos usar para diminuir a ansiedade numa parceria amorosa?

Para quem vive essa situação no seu relacionamento, este texto aponta as principais causas e consequências da ansiedade num relacionamento e também faz sugestões para resolver isso, a dois.

Tudo bem, mas como identificar a ansiedade no relacionamento?

Sabe aquela pressa para resolver os problemas logo, aquela necessidade de discutir a relação a todo momento ou aquele comportamento agressivo ou até mesmo irritado ou desligado que não é característica da pessoa?

Pois é, esses podem ser alguns sinais de que a ansiedade pode estar arrastando seu parceiro ou parceira para uma tempestade de emoções. Nesse contexto, é normal alguns acontecimentos do passado virem à tona e as crises se tornarem recorrentes.

A pessoa ansiosa está sempre prevenindo o sofrimento e, por isso, acaba vivenciando antes da hora os momentos que considera negativos. Antes mesmo de acontecer um problema, quem tem ansiedade já sente a preocupação e acaba agindo por impulso para evitar que o pior aconteça.

Depois, vem o medo, a tristeza, o arrependimento e a insegurança. Isso porque as palavras que não poderiam ser ditas já foram proferidas e já atingiram em cheio o outro.

Nessas situações, o ideal é identificar o problema o quanto antes e encontrar a ferramenta reguladora dessa reação exacerbada diante das ameaças futuras.

É normal ter um pouco de ansiedade, até mesmo nos relacionamentos. No entanto, esse sentimento não deve ultrapassar os limites saudáveis e abalar as estruturas que mantém o casal em harmonia.

Ao sentir que o passado ou o futuro estão preocupando excessivamente um dos parceiros na relação, é fundamental que se estabeleça um espaço seguro para que cada um manifeste suas questões com respeito e no seu tempo.

O que fazer para tratar a ansiedade na relação?

Algumas pessoas não conseguem perceber que a crise de ansiedade está atrapalhando a relação e acaba julgando mal seu companheiro ou companheira.

Isso significa que é preciso muito cuidado ao tentar “diagnosticar” a ansiedade na outra pessoa, uma vez que nem toda pessoa ansiosa é explosiva, introspectiva ou possui qualquer outra característica que costumam atribuir a pessoas ansiosas, muitas vezes de maneira equivocada.

Quando o casal perceber que a situação fugiu do controle, é hora de buscar uma solução externa. Mas não através da traição ou da separação. E sim, buscando a ajuda de uma pessoa especializada.

A terapia de casal já ajudou diversos parceiros na resolução de suas questões e pode ser realizada on-line ou presencialmente. Outra possibilidade é o auxílio de conselheiros que são pessoas de confiança do casal, geralmente com mais experiência de vida, capazes de sugerir atitudes e medidas construtivas para a relação.

No entanto, quem irá avaliar se o relacionamento realmente vale a pena e se o motivo da ansiedade é justamente a relação é quem faz parte dela. Nessas horas, vale a honestidade com a pessoa com quem você se relaciona e, é claro, com você mesmo.

Quando devo me preocupar com a ansiedade?

Quando o relacionamento se torna tóxico, é hora de ligar o alerta. Normalmente, alguns gatilhos trazem a percepção de que a paz é impossível, que o estado de serenidade está longe de ser alcançado na relação.

A ansiedade acaba por atingir o respeito mútuo, a autoestima de cada um e principalmente a liberdade dos indivíduos.

Negociar o inegociável e aceitar situações que coloquem sua saúde mental, ou do parceiro, em cheque não é uma opção para quem deseja um relacionamento saudável, sem traumas e abusos. De modo que quando o relacionamento se torna tóxico, este é o limite para lidar com a ansiedade.

O que fazer para controlar a ansiedade no relacionamento?

Para não chegar nesse estágio, abra mão do controle. Se a casa está desarrumada, se os planos não deram certo hoje ou se você não sabe o que vai acontecer amanhã, está tudo bem.

Tentar controlar todas as variáveis do dia a dia é uma característica típica de gente ansiosa, abrir mão desse comportamento pode ser libertador, tanto para você quanto para seu cônjuge.

O que nos leva a uma dica de ouro: seja independente! Busque momentos em que sua companhia seja o suficiente. Ou seja, fortaleça a sua individualidade que é diferente do individualismo. 

A individualidade significa a preservação do seu eu interior e de todas as características e ideias que constituem a pessoa que você é. Já o individualismo está relacionado com o egoísmo e a presunção de que tudo é sobre você.

Portanto, cuide-se com o mesmo carinho e afeto que você dispensa ao cuidado com os outros. Isso inclui passar um creme que você gosta todos os dias, cortar o cabelo sempre que julgar necessário, fazer os programas que você gosta de fazer, como por exemplo ir ao teatro ou caminhar no parque. 

Um relacionamento saudável geralmente é composto por duas pessoas plenas, livres e seguras de si, que sabem defender seu ponto de vista sem agredir o outro nem por necessidade de validação alheia.

Você percebeu como a ansiedade pode minar um relacionamento e corroer suas estruturas silenciosamente? É um problema muito recorrente entre os casais e pode acarretar outros problemas, muitas vezes difíceis de resolver.

Mas o diálogo sempre é um caminho para a mudança comportamental. Caso esse diálogo não seja possível, busque ajuda profissional. 

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