As reais consequências da maconha

O tetrahidrocanabinol (THC), mais conhecido como maconha, é a droga ilícita mais consumida do mundo. Enquanto os defensores da legalização da substância afirmam que ela não é prejudicial a saúde, algumas pesquisas indicam que sua utilização pode causar danos em usuários mais frequentes. Mas, a longo prazo, quais são os reais riscos causados pela maconha? Apesar dos estudos ainda estarem em franca evolução, já é possível estipular algumas das consequências geradas pelo consumo da droga.

Sobre o vício

Antes de entender os reais danos causados pela maconha, é preciso saber mais sobre o poder que ela tem de gerar dependentes. Segundo uma pesquisa do The New England Journal of Medicine, 9% das pessoas que experimentam o primeiro “baseado” acabam se viciando na droga. Em relação aos que começam a utilizá-la na adolescência, a estatística pode subir para um entre cada seis usuários. Já entre as pessoas que usam o THC diariamente, 25% a 50% indicam sinais de dependência.

Entre as pessoas que apresentam um quadro de dependência da maconha, os sintomas encontrados são semelhantes  – em proporções diferentes – aos do consumo de outras drogas. Os usuários tidos como dependentes tendem a ter crises de irritabilidade, ansiedade, inquietude e insônia.

Sintomas sentidos pelo cérebro

A taxa de dependência da maconha não é tão alta quanto outras drogas, já que é inferior a da própria nicotina, que, segundo estudos da Universidade Queensland, na Austrália, é superior a 32%. Mesmo assim, o consumo da droga a médio e longo prazo pode afetar áreas importantes do cérebro, principalmente as que são responsáveis por armazenar memórias e cuidar do aprendizado.

É importante dizer que, assim como no caso do vício, a utilização do THC desde a adolescência tende a trazer mais danos do que para pessoas que começaram o consumo na fase adulta. 

Relação com distúrbios mentais

O uso contínuo e constante da maconha pode dar mais suscetibilidade, ou simplesmente agravar, alguns transtornos como ansiedade, psicoses e depressão, o que tende a acontecer em pessoas geneticamente vulneráveis. Alguns estudos sugerem que o uso constante da maconha pode aumentar em até 6 vezes de algumas pessoas desencadear um quadro psicótico.

Riscos pulmonares e respiratórias

Apesar de não possuir tantas substâncias nocivas ao pulmão e ao sistema respiratório quanto o cigarro, a maconha também pode ser associada a doenças nessas áreas. Isso porque, quando consumida por muito tempo, ela pode causar uma inflamação das vias aéreas, aumentando a resistência à passagem do ar pelos brônquios. 

“Porta de entrada para outras drogas”. Mito ou verdade?

Assim como outras substâncias químicas consideradas psicoativas, a maconha pode causar uma resposta exagerada no consumo de outras drogas. Na prática clínica é muito comum observar pessoas que começaram a fazer uso do crack ou cocaína após iniciarem pela maconha. O que não podemos dizer é que pessoas que usam maconha vão usar crack ou cocaína. Mas deve-se ficar atento ao uso de outras drogas e a própria dependência da maconha.

Cuidado com a Maconha!

Como médico e como ser humano que já viu uma série de usuários dependentes da maconha, eu não sugiro, em hipótese alguma, a manutenção do uso da maconha.

Muitos usuários fazem uso acreditando que a droga pode tranquilizar e relaxar, porém no dia seguinte a maconha leva a uma piora da ansiedade, e infelizmente muitos não percebem que a droga está fazendo esse efeito. O que acontece é que para melhorar a ansiedade do dia seguinte, muitos usuários fumam novamente.

Além disso, é muito comum, principalmente em adolescentes e adultos jovens, a maconha ser um gatilho para o desenvolvimento de doenças psicóticas, que pioram de forma importante o dia a dia pessoas afetadas.

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