Glossário clínico
Alexitimia
Alexitimia é a dificuldade de identificar e nomear as próprias emoções e de descrevê-las a outras pessoas. Não é ausência de sentimento: é dificuldade de acesso e tradução do que se sente em palavras.
Quem a experimenta costuma perceber primeiro o corpo — tensão, aperto, cansaço, alteração de sono — e só depois, se chegar lá, o nome da emoção correspondente. Perguntas como 'como você se sentiu?' produzem uma pausa longa, e não uma resposta pronta.
É um traço dimensional, presente em graus na população geral, e descrito com mais frequência em pessoas autistas e em quadros com histórico de trauma. Não é diagnóstico em si.
Na clínica, tem consequência prática: escalas e perguntas que dependem de autorrelato emocional perdem sensibilidade, e o sofrimento pode aparecer travestido de queixa somática. Isso atrasa reconhecimento e tratamento.
O trabalho terapêutico costuma começar pelo corpo e pelo contexto — o que aconteceu, o que mudou na sensação física — antes de chegar ao vocabulário emocional, que se constrói aos poucos.
Não confundir com indiferença emocional
Alexitimia não significa não se importar. A emoção acontece; o que falta é o acesso consciente a ela e o vocabulário para descrevê-la. Confundir as duas coisas é uma das origens do estereótipo de frieza atribuído a pessoas autistas.
Onde este conceito aparece
- Masking no autismo: o esforço invisível de parecer normal
Camuflagem social é o esforço de parecer igual — e ele cobra caro. Os componentes descritos na literatura, o custo cumulativo e o que ajuda no manejo.
- Hipersensibilidade sensorial em autistas adultos: por que ruído, luz e tecido incomodam tanto
Ruído, luz e textura pesam mais para muitos adultos autistas porque a filtragem sensorial funciona diferente. Os padrões descritos e o que ajuda.
Verbete educacional, descritivo e não prescritivo — não substitui consulta médica individual. Última revisão: 19 de maio de 2026.