Glossário clínico
Eletroconvulsoterapia (ECT)
Também chamado de: ECT, eletrochoque, electroconvulsoterapia.
Eletroconvulsoterapia é um procedimento em que uma corrente elétrica aplicada ao couro cabeludo induz uma crise convulsiva breve e controlada, com a pessoa sob anestesia geral e medicação que relaxa a musculatura. O uso mais estudado é na depressão que não respondeu a tratamentos anteriores, em que uma revisão internacional a descreve como intervenção eficaz.
O nome é literal: “eletro” pela corrente elétrica aplicada por eletrodos no couro cabeludo, “convulso” pela crise que essa corrente induz, “terapia” pelo uso com finalidade de tratamento. A crise é breve e provocada de propósito — é ela, e não a corrente em si, que constitui o procedimento.
Duas coisas separam o procedimento atual da imagem que a palavra carrega: ele é feito sob anestesia geral e com medicação que relaxa a musculatura, em ambiente hospitalar e com equipe de anestesia presente. A pessoa não está acordada durante a aplicação, e a contração muscular generalizada que o imaginário popular associa ao termo é justamente o que o relaxante muscular evita. Quem ouve a palavra pela primeira vez costuma estar imaginando outra coisa.
O campo em que a evidência é mais discutida é o da depressão que não respondeu a tratamentos anteriores. Uma revisão internacional sobre esse quadro descreve a eletroconvulsoterapia como intervenção eficaz tanto na fase aguda quanto na manutenção, e registra evidência preliminar sugerindo não inferioridade à cetamina intravenosa na fase aguda — “preliminar” é a palavra dos próprios autores, e vale mantê-la. A mesma revisão apresenta, lado a lado, outras possibilidades para esse quadro, entre elas a cetamina e a escetamina, antipsicóticos de segunda geração somados a antidepressivos e a estimulação magnética transcraniana repetitiva. São opções com perfis diferentes, não degraus de uma escada que se sobe em ordem: qual delas cabe em um caso é avaliação clínica individual, feita com a pessoa.
Três coisas este verbete deliberadamente não afirma, porque dependem de informação que varia entre protocolos, serviços e países: quantas aplicações um tratamento costuma ter, qual a extensão e a duração dos efeitos sobre a memória — a preocupação mais frequente de quem considera o procedimento, e um assunto que pertence à conversa sobre indicação — e em que condições a técnica está disponível e regulamentada no Brasil. São perguntas para quem conduz o caso e para o serviço que oferece o procedimento.
Não confundir com EMTr
As duas atuam sobre a atividade cerebral e aparecem nas mesmas revisões sobre depressão resistente, o que ajuda a confundi-las. A diferença está no procedimento: a EMTr usa pulsos magnéticos gerados por uma bobina encostada na cabeça, com a pessoa acordada e sem anestesia, enquanto a eletroconvulsoterapia usa corrente elétrica para induzir uma crise convulsiva e exige anestesia geral. Por isso o contexto de aplicação, o preparo e os efeitos a discutir são diferentes em cada uma — e por isso nenhuma das duas é versão “mais forte” da outra.
Onde este conceito aparece
- Depressão resistente ao tratamento: o que significa e quais caminhos existem
Resistente é um adjetivo sobre o resultado dos tratamentos tentados, não sobre a pessoa. O que a definição mais usada exige, por que parte dos casos assim classificados é outra coisa, e os caminhos que a literatura descreve quando a conta de fato fecha.
- Tratamento da Depressão: Caminhos Baseados em Evidência
Depressão maior tem tratamento eficaz. Os caminhos consolidados na literatura — psicoterapia, medicação e o que existe quando as primeiras linhas não bastam.
- Antidepressivos: como funcionam e o que esperar do tratamento
Como os antidepressivos agem, por que o efeito se constrói ao longo de semanas, o que costuma acontecer no início do tratamento e por que a retirada também se planeja. Um guia sereno, sem promessa e sem alarme.
Verbete educacional, descritivo e não prescritivo — não substitui consulta médica individual. Última revisão: 19 de maio de 2026.