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Glossário clínico

Remissão

Remissão é o período em que os sintomas de um transtorno deixam de estar presentes ou ficam bastante reduzidos. É o termo que a clínica usa no lugar do que a conversa cotidiana chama de "cura": ele descreve com precisão o estado atual, sem afirmar que a vulnerabilidade ao quadro deixou de existir.

A palavra descreve um momento, não um veredito. Os manuais diagnósticos — o DSM-5-TR entre eles — usam remissão como especificador que se acrescenta ao diagnóstico para registrar onde a pessoa está agora: o quadro foi identificado, os critérios já não estão preenchidos e é isso que a frase diz, nada além.

Costuma-se distinguir remissão parcial de remissão completa. Na parcial ainda restam sintomas, em intensidade abaixo do necessário para caracterizar o quadro inteiro — a pessoa melhorou de forma nítida e alguma coisa segue presente. Na completa, por um período definido, não há sinais ou sintomas significativos. A distinção existe porque as duas situações levam a conversas diferentes sobre continuar, ajustar ou espaçar o que está sendo feito.

Por que não se diz simplesmente que o quadro passou: porque o termo precisa ser honesto sobre o que pode e o que não pode afirmar. Remissão afirma o presente. Não afirma que o episódio não voltará, e também não afirma o contrário — não é uma sentença de fragilidade permanente. É uma descrição cuidadosa de um estado que pode durar muito tempo, inclusive o resto da vida, sem que a palavra precise prometer isso.

Vale separar remissão de recuperação funcional. Sintomas podem deixar de preencher critérios enquanto o sono ainda não regularizou, a disposição para retomar vínculos ainda está aquém do que era, ou o trabalho continua custando mais do que custava. Não é contradição: são medidas de coisas diferentes, e a segunda costuma ter o seu próprio ritmo.

Na prática, o que se faz depois de alcançar remissão — manter, ajustar ou reduzir o que estava em curso — é decisão individual, construída com quem acompanha o caso, e leva em conta a história do quadro, o que já aconteceu antes e o que a pessoa considera aceitável. Nenhuma regra geral substitui essa conversa.

Não confundir com resposta ao tratamento

Resposta descreve melhora relevante em relação ao ponto de partida; remissão descreve um estado em que os sintomas praticamente não estão mais presentes. É possível responder ao tratamento sem estar em remissão — melhorar bastante e ainda conviver com sintomas — e é essa diferença que o acompanhamento procura acompanhar ao longo do tempo.

Onde este conceito aparece

Verbete educacional, descritivo e não prescritivo — não substitui consulta médica individual. Última revisão: 19 de maio de 2026.