Glossário clínico
DSM-5-TR
Também chamado de: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-5.
O DSM-5-TR é o manual diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria, na revisão de texto da quinta edição. Ele organiza os transtornos mentais em categorias e descreve, para cada uma, os critérios que precisam estar presentes, por quanto tempo e com que grau de prejuízo. É uma convenção descritiva para nomear quadros — não uma explicação de causas.
A sigla vem de Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. O TR final indica text revision: uma atualização do texto da quinta edição, publicada em 2022, que revisou descrições, prevalências e marcadores de curso sem reabrir a estrutura geral do manual. Na prática, quem lê um critério do DSM-5 e do DSM-5-TR encontra quase sempre a mesma exigência, com redação e comentário atualizados.
O que o manual oferece é uma lista de critérios operacionais. Para cada categoria, ele descreve quais manifestações precisam estar presentes, quantas delas bastam, há quanto tempo, em quantos contextos da vida e com que grau de prejuízo — e quais outras explicações precisam ser afastadas antes de o nome ser usado. Esse formato existe para que dois profissionais diferentes, examinando a mesma pessoa, cheguem a descrições comparáveis, e para que a pesquisa saiba do que está falando quando publica um estudo sobre determinado quadro.
O que o manual não oferece é causa nem tratamento. Os critérios são descritivos: dizem como um quadro se apresenta, não por que apareceu nem o que fazer a respeito. Também não são um questionário para autoaplicação. Ler a lista e reconhecer-se nela é um ponto de partida legítimo, e é assim que muita gente chega à avaliação, mas o diagnóstico depende de história de vida, contexto, curso ao longo do tempo e diferenciação em relação a outros quadros — trabalho que acontece na conversa clínica, não na leitura da lista.
Vale saber que o manual muda, e que mudar faz parte. Categorias são reagrupadas, critérios são reescritos, nomes saem de uso à medida que a pesquisa e a discussão pública avançam. O caso mais conhecido entre adultos neurodivergentes é o do espectro autista, que passou a ser descrito como categoria única com níveis de suporte, absorvendo denominações antes separadas. Um diagnóstico recebido sob uma edição anterior não fica inválido por isso: ele foi feito com o vocabulário disponível na época.
No Brasil, o DSM-5-TR convive com a CID-11, da Organização Mundial da Saúde. Laudos, atestados e sistemas de informação em saúde costumam registrar o código da CID; a descrição clínica e a literatura de pesquisa costumam se apoiar no DSM. As duas obras descrevem em larga medida os mesmos quadros, com recortes e códigos próprios, e não é contradição encontrar as duas citadas no mesmo documento.
Não confundir com CID-11
A CID-11 é a classificação da Organização Mundial da Saúde e cobre todas as condições de saúde, não só as de saúde mental; é ela que fornece os códigos usados em documentos e sistemas oficiais. O DSM-5-TR é publicado pela Associação Americana de Psiquiatria e se dedica apenas aos transtornos mentais, com critérios descritos em detalhe maior. Onde as duas tratam do mesmo quadro, costumam convergir na descrição e diferir no código e no recorte das categorias.
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Verbete educacional, descritivo e não prescritivo — não substitui consulta médica individual. Última revisão: 19 de maio de 2026.